PS garante: "A geringonça não morreu"

António Costa anunciou na quinta-feira que não vai assinar nenhum "compromisso escrito" no início de legislatura, com o BE, PCP e PEV. Bloco lamentou esta sexta-feira o fim da geringonça.

"A geringonça não morreu" e "há disponibilidade" do PS "para trabalhar com o Bloco [BE]", garantia de Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. "Inclusivamente já temos marcada reunião para terça-feira, o trabalho continuará como até agora", acrescentou o governante, revelando que se vai discutir "o Orçamento e o programa de Governo".

Na perspetiva do PS, a reação do Bloco de Esquerda sobre a ausência de um acordo escrito de legislatura foi "exagerada" e negou cedências a confederações patronais em matéria de leis laborais. Segundo os socialistas o acordo falhou porque o Bloco colocou um conjunto de pressupostos que o PS não pode acompanhar. Desde logo, a legislação do trabalho: "Foi recentemente publicada, é óbvio e evidente que a prioridade do PS nesta matéria é diferente", disse o socialista, explicando que António Costa entendeu que a melhor opção seria dar "um tratamento idêntico com todos" os partidos, para que "todos participem" durante os quatro anos.

Por isso, segundo o PS, "a geringonça não morreu" e "há disponibilidade para trabalhar com todos". O partido socialista entende por isso "que há um compromisso com a estabilidade e com o compromisso em conjunto", sendo que "por trás da negociação dos últimos quatro anos esteve uma concertação prévia e o PS está inteiramente disponível para em conjunto continuar a desenvolver esse trabalho."

Esta sexta-feira, Catarina Martins, lamentou a decisão do Partido Socialista (PS) de governar sozinho e não querer repetir os acordos da geringonça. "Ao decidir pôr um ponto final à existência do modelo de acordo político que ficou conhecido como geringonça, o PS recusa um modelo que deu provas de resistência face a turbulências políticas, que impediu recuos e assegurou um percurso estável de recuperação do país e de respeito pelos direitos e rendimentos", disse a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE).

Isto depois de na quinta-feira, António Costa ter anunciado que não vai assinar nenhum "compromisso escrito" no início de legislatura, com o BE, PCP e PEV (Verdes) como aconteceu em 2015, apesar de pretender manter a mesma metodologia de trabalho com os parceiros de esquerda e talvez estendê-la ao PAN e Livre.

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