PCP: Mudam os ministros, mas o que é decisivo é o Governo como um todo

Comunistas avançam com proposta para criar ligação ferroviária entre Braga e Guimarães. Mas não esperam um entendimento facilitado com novo ministro das Infraestruturas. "O que é relevante são as opções políticas do Governo".

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, está de acordo com o primeiro-ministro, quando António Costa afirma que, depois da remodelação, este "é o mesmo Governo, não é um novo".

Para João Oliveira, "aquilo que é relevante e decisivo são as opções políticas do Governo e o que o Governo faz como um todo, independentemente das opiniões pessoais deste ou daquele e das características da personalidade de cada um".

Falando aos jornalistas, na estação de comboios da cidade de Braga, no âmbito das jornadas parlamentares do partido, onde deputados do PCP foram pedir uma ligação ferroviária entre Braga e Guimarães, o líder da bancada comunista sacudiu assim uma eventual facilidade em entender-se com o novo titular das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, depois da tomada de posse do ex-secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares como ministra da pasta.

"Nós confiamos muito na nossa luta e na luta das populações, até para aquelas circunstâncias em que é preciso fazer mudar as opções do Governo, para que elas possam coincidir com a vontade das populações. Esperamos que isso possa acontecer relativamente à ligação Braga-Guimarães", apontou João Oliveira, referindo-se a uma iniciativa legislativa que o PCP vai entregar no Parlamento para que sejam feitos estudos e se avance com a construção de uma linha ferroviária que ligue estas duas cidades do Minho.

O deputado comunista, que esteve na estação de Braga a distribuir folhetos que apresentavam a quem passava a proposta do partido, espera contar mais votos de outros partidos para viabilizar o seu projeto de resolução. E espera que Pedro Nuno Santos, "o novo titular da pasta das infraestruturas, possa cumprir este desígnio de servir as populações com uma nova ligação" entre estas duas cidades.

Braga está a 22 quilómetros de Guimarães em "linha reta", como explica a deputada comunista Carla Cruz, eleita pelo círculo de Braga. Para viajar entre as duas cidades leva-se uma hora e meia de comboio. É preciso apanhar um com destino ao Porto, sair em Lousado, no concelho de Famalicão, mais a sul, e voltar a subir num outro comboio para o norte, para Guimarães.

A alternativa é viajar de carro ou de transporte rodoviário: por uma estrada nacional com todos os "constrangimentos" ou pela auto-estrada, uma opção que custa 1,60 euros de portagem. De autocarro, o caminho faz-se em cerca de uma hora - entre as duas cidades, o percurso passa pelas várias freguesias rurais e por polos industriais.

O movimento pendular entre Braga e Guimarães é intenso. A Universidade do Minho tem campus nas duas cidades, muitas empresas desenvolvem atividade nos dois municípios, há quem viva numa cidade e trabalhe na outra.

É por isto que o PCP defende "o fecho da malha ferroviária entre Braga e Guimarães", ligando os dois ramais atuais, e o prolongamento a Barcelos, na Linha do Minho, que une o Porto e Valença, criando assim uma ligação entre as quatro maiores cidades do distrito.

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