Parlamento une-se no pesar a João Vasconcelos e Zeca Mendonça

Antigo secretário de Estado e histórico assessor social-democrata homenageados pelo Parlamento. Também Manuel Graça Dias foi recordado. Saudação aos "padres-campeões" contou com votos contra do Bloco e dois socialistas.

A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira votos de pesar pela morte do socialista João Vasconcelos, antigo secretário de Estado da Indústria, e de Zeca Mendonça, o histórico assessor de imprensa do PSD. Também foram homenageados o arquiteto Manuel Graça Dias e o artista plástico Guilherme Correia.

No texto de pesar sobre Zeca Mendonça, que foi lido pelo líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, sublinha-se o percurso do homem que começou como segurança no partido e permaneceu durante 40 anos como assessor de imprensa. Estava hoje, nas mesmas funções, na Presidência da República.

Segundo o líder da bancada, Zeca era "discreto, competente e de uma lealdade a toda a prova". "Trabalhou com 17 líderes do PSD, com centenas de deputados do seu partido e com a JSD, com quem teve sempre uma relação especial", apontou. "O seu humanismo, experiência e sentido de humor tornou-o numa figura incontornável no PSD e no Parlamento, sendo muito mais do que espectador. É justo dizer que muitas coisas acontecerem como aconteceram devido à sua sensibilidade para a gestão mediática."

Zeca, "como era carinhosamente conhecido", foi também, no entendimento do Parlamento, "a personificação do ideal de convivência democrática, estimado e respeitado por todos a quem a sua vida tocou - as lideranças do seu partido, o grupo parlamentar, os colegas de trabalho, os dirigentes e trabalhadores dos diferentes partidos e todos os jornalistas, dos veteranos aos mais novos."

Negrão registou que "a sua partida deixa em todos (...) um vazio difícil de preencher". E deixou um desejo: "A melhor forma de honrar Zeca Mendonça é sabendo, todos nós, que há mais a unir-nos - na vida e na política - do que a separar-nos."

No caso de João Vasconcelos, a câmara recordou um percurso profissional e político, para apontar que o socialista "tinha a convicção de que Portugal podia ser o melhor país do mundo para criar um negócio" e o próprio Vasconcelos tinha "a vontade de contribuir para essa ambição".

"Nos seus tempos da Startup Lisboa, designava a sua função como chief happiness officer. Todos os que com ele privaram ou contactaram sabem que merecia esse título", aponta o texto de voto. "A sua morte faz o país mais pobre. Porque nos deixa um coração enorme de generosidade e alegria de viver, porque nos separamos de alguém que faz muita falta à afirmação do país."

O arquiteto Manuel Graça Dias também mereceu elogios rasgados no texto de homenagem. "Desassossegado, inconformado, atrevido, com uma lucidez culta e informada", como refere o voto, "marcou o Portugal cosmopolita que despontava nos anos 80 e desde então, sempre com o mesmo fulgor, através do desenho ou da palavra, trouxe à cultura arquitetónica portuguesa um olhar heterodoxo, sobre a arquitetura e o seu contexto".

Louvor a padres futebolistas com muitas abstenções e votos contra

Já no âmbito de votos de louvor, o texto que saudava a vitória da Seleção de Portugal no Campeonato da Europa de Futsal do Clero contou com os votos contra do Bloco de Esquerda, do socialista Ascenso Simões e do deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira.

Na bancada do PS, houve 40 parlamentares que se abstiveram, incluindo a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes, os vices da bancada Fernando Rocha Andrade, Filipe Neto Brandão e Pedro Delgado Alves e o vice-presidente da Assembleia da República Jorge Lacão. Também se abstiveram os deputados do PCP e do PEV.

O voto de congratulação, apresentado pelo PSD e CDS, mereceu reparos por parte de muitos deputados, em particular à esquerda, por causa do seu teor. O texto saudava um dos padres "conhecido entre os pares como o Cristiano Ronaldo da Seleção da Igreja" e outro por ter apontado um "surpreendente hat-trick". Nas galerias estavam seis campeões.

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