Jerónimo: "Não há Governo de esquerda" nem "maioria de esquerda"

É uma velha profissão de fé que o secretário-geral comunista faz de quando em vez: "Não há um Governo de esquerda, nem sequer um governo das esquerdas porque não há uma maioria de esquerda" no Parlamento.

O secretário-geral comunista afirmou esta terça-feira que "não há um Governo de esquerda, nem sequer um Governo das esquerdas porque não há uma maioria de esquerda na Assembleia da República", referindo-se à atual situação política e ao executivo socialista. O líder do PCP voltou a recuperar esta profissão de fé, com que, ao longo de três anos, procurou sempre distinguir o seu partido do executivo socialista.

Jerónimo de Sousa discursava perante uma plateia de estudantes do ensino superior, numa sessão pública na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, destinada a abordar "os avanços conseguidos ao longo destes três anos e meio da nova fase política nacional", mas também sobre o que falta fazer nas universidades.

"Exatamente porque não há um Governo de esquerda, nem sequer um Governo das esquerdas porque não há uma maioria de esquerda na Assembleia da República - expressões com que, de forma falaciosa, os comentadores de serviço procuram induzir em erro o povo português -, PS, PSD e CDS uniram-se uma vez mais para chumbar as nossas propostas", lamentou, salientando que a ação do PCP e da CDU visou "defender, repor e conquistar direitos".

Contudo, acrescentou Jerónimo de Sousa, "a questão central" é até onde se consegue ir, até onde se consegue "obrigar o PS a concretizar avanços que nem constavam do seu programa eleitoral, nem do seu programa de Governo".

Jerónimo de Sousa elencou diversas medidas concretizadas até agora: congelamento dos valores máximos e mínimos das propinas, aumento para 40% do Indexante de Apoios Sociais, entrega de trabalhos de curso em formato digital, contratação de bolseiros, a diminuição do custo dos transportes públicos, entre outras.

"Assumimo-lo sem hesitações. Estamos aqui para valorizar o que de positivo, em resultado da luta dos estudantes e da ação do PCP, se conseguiu. Tal objetivo não dispensa, antes pelo contrário exige, que se assuma o quão longe estamos da resposta às necessidades do povo e do país", salientou.

O secretário-geral comunista recordou ainda a herança deixada pelo Governo PSD/CDS-PP, quando o orçamento para a Ciência e o Ensino Superior teve um corte global de mais de 30%.

Para o secretário-geral comunista, a "situação levou a um aumento brutal das despesas dos estudantes e das suas famílias, que já é das mais elevadas do conjunto da União Europeia, que é muitas vezes incomportável, levando muitos estudantes a desistir dos estudos".

"Se esse era o ponto de partida, o ponto de chegada não deu ainda resposta a todos os problemas que continuam latentes. E não deu porque o PS, diga-se, mantém as opções de submissão às imposições da União Europeia e do euro e aos interesses do grande capital", lamentou.

Jerónimo de Sousa referiu-se também a diversas iniciativas e propostas comunistas que foram ficando pelo caminho como "uma nova lei de financiamento do Ensino Superior, que garantisse o financiamento necessário às instituições" ou o fim faseado das propinas.

"Agora que se aproximam as eleições para o Parlamento Europeu e, a passo largo, as eleições para a Assembleia da República, estão colocadas a todo o povo português, e naturalmente também à juventude, opções decisivas. Vamos ter de decidir entre avançar ou andar para trás. Avançar no direito à educação pública gratuita e de qualidade até aos mais elevados graus de ensino, ou andar para trás, seja com o regresso de PSD e CDS e dos seus compromissos de corte nos investimentos públicos e na Segurança Social, seja pelo reforço do PS", afirmou.

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