Miguel Pinto Luz quer um "PSD que não seja segunda escolha do PS"

O vice-presidente da câmara de Cascais foi o último a apresentar publicamente a sua candidatura à liderança do PSD, mas garante que quer levar o partido às vitórias eleitorais. E sem excluir os adversários, Rui Rio e Luís Montenegro.

No Páteo da Galé, Terreiro do Paço, numa apresentação à americana, rodeado de centenas de apoiantes, Miguel Pinto Luz fez um discurso de mobilização do partido ao entrar oficialmente na corrida à liderança. Prometeu bater-se pelas vitórias eleitorais, nas próximas autárquicas até pelo governo de Portugal, porque quer um "PSD que não seja uma segunda escolha do PS". Procurou demarcar-se dos outros dois candidatos. De Rui que quer um partido de segundo campeonato e procura "silenciar as vozes críticas" e de Luís Montenegro, o candidato que é mais do mesmo.

Miguel Pinto Luz, com teleponto a ajudar na performance política ultra-profissional, defendeu "um partido que não seja sempre dos mesmos" e que ganhe o espaço político perdido desde 2002, altura em que Durão Barroso ganhou as legislativas. O candidato confessou que a sua preocupação aumentou após os resultados das legislativas de outubro, em que o PSD não chegou aos 28%. "O nosso partido tem perdido influência eleitoral porque tem perdido influência na sociedade portuguesa e deixou de ser uma força apelativa para os mais jovens".

Dos líderes sociais-democratas reformistas e que levaram o partido ao estrelato citou Francisco Sá Carneiro, Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, de quem foi secretário de Estado no governo formado em 2015 e que durou muito pouco. Mas foi ao ex-primeiro-ministro a quem reconheceu o valor de ter colocado o "PSD de novo nos valores reformistas" e de ter recolocado o país na "rota do crescimento".

"O PSD tem de ser uma oposição de confiança", "combativo e firme, sem cedências nos princípios para inspirar os portugueses com uma nova visão", muito longe da socialista e estatizante da sociedade, marcas da "gerigonça".

O candidato à liderança do PSD fez pontaria ao PS e ao governo. "As reformas que o país precisava permaneceram adiadas, apenas porque o PS se quer manter no poder". E mais: ""O PS é mau gesto e péssimo decisor. Usa o Estado a favor dos seus interesses e clientelas". E desfiou o rol das mazelas do país, o mau estados dos serviços públicos e da distribuição da riqueza. "O PS pergunta, vamos tirar a quem para dar a quem? Já nós perguntamos como vamos criar riqueza e distribui-la de forma mais justa". Os apoiantes galvanizaram e "PSD", "PSD" soou no espaço pombalino.

O discurso de 25 minutos foi feito mais de princípios do que de propostas. Concretas só as de um novo contrato social entre o Estado e os privados na Educação e Saúde, a simplificação dos sistema fiscal para se tornar mais amigo dos empreendedores e o alivio da carga fiscal das familias.

Internamente, sem nunca mencionar o nome de Rui Rio, deixou criticas fortíssimas ao líder/adversário. "Quando se gosta do PSD, não se diminui o partido, concelhia a concelhia, distrital a distrital, apenas para se ter o partido que se quer. Quem não gosta deste PSD, dê lugar a quem goste e queira lutar por Portugal". Uma alusão ao facto de Rio ter assumido, em entrevista recente, que não gosta de todo o partido.

Ainda assim, garantiu que se ganhar a liderança do partido, não irá excluir os adversários. Mas também não dirá a nenhum dos que estão com ele para apoiar Rio ou Montenegro caso haja uma segunda volta nas diretas marcadas para 11 de janeiro.

O cenário montado para a apresentação da candidatura foi inspirado no modelo americano. Um espaço majestoso, palanque ao meio e duas centenas de cadeiras, cheias de apoiantes, a rodear o candidato. Figuras gradas do partido não havia muitas, mas pelo Páteo da Galé marcaram presença Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais e antigo vice de Passos Coelho, o antigo vice-presidente da bancada social-democrata, José Eduardo Martins, o ex-secretário-geral do PSD, José Matos Rosa (que é o diretor da campanha de Pinto Luz), o ex-líder da concelhia de Lisboa do PSD, Mauro Xavier, o recém eleito líder da distrital de Lisboa, Ângelo Pereira, e quatro deputados Sandra Pereira, Carlos Silva, Alexandre Poço e Ana Miguel Santos. E ainda o histórico antigo ministro de Cavaco, Mira Amaral.

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