Mendes desfaz Santana:  "Não tem nada de novo a oferecer"

Comentador político analisou esta noite na SIC a promessa de Santana de deixar o PSD e a ameaça de fazer um novo partido

"Um novo partido precisa de novidade. Ora, Pedro Santana Lopes é tudo menos novidade. Está há 40 anos na vida política. Não tem nada de novo a oferecer. Nem nas ideias nem nos comportamentos."

Sem dó nem piedade, Luís Marques Mendes arrasou esta noite as ameaças que Pedro Santana Lopes deixou esta semana numa entrevista à "Visão": deixar o PSD e de formar um novo partido. Foi no seu habitual comentário político dos domingos na SIC.

Sendo ele próprio também um ex-líder do PSD, Mendes disse que Santana anda a fazer estas ameaças "há vinte anos". E se desta vez sair mesmo do PSD a "convicção" que tem é que "em pouco tempo acabará por se arrepender".

Além do mais, criar um novo partido, não sendo uma "tarefa impossível", é no entanto algo em que "é mesmo muito difícil ter sucesso". Por um lado porque "o nosso sistema partidário é muito estável e resiliente" e isso "especialmente na área do centro e da direita". E por outro porque "goste-se ou não de Rui Rio e da sua liderança, não há, apesar de tudo, qualquer razão para a cisão" - "o partido não se descaracterizou ideologicamente nem teve qualquer mudança estrutural". Sendo verdade que Rio "comete erros", o facto também é que "no passado já houve igual ou pior".

Se sair, Pedro Santana Lopes não arrastará consigo nenhuma figura relevante do PSD. E eleitores também estamos para ver.

Mendes adiantou ainda uma última razão pela qual acha que, confirmando-se a formação de um novo partido, isso poderá revelar-se "uma grande precipitação": "Se sair, Pedro Santana Lopes não arrastará consigo nenhuma figura relevante do PSD. E eleitores também estamos para ver."

Marques Mendes comentou também a recente visita de Rui Rio a Angola (onde se encontrou com o Presidente João Lourenço).

Esta foi - no seu entender - uma maneira de as autoridades angolanas darem uma "bofetada política e diplomática no Governo de António Costa". Porque assim quiseram dizer que "para o Governo angolano a relação política preferencial em Portugal é com o PSD e não com o PS".

Além do mais, a forma como Luanda recebeu o líder do PSD "também significa que, mesmo depois de desaparecido o irritante judicial do caso Manuel Vicente, na relação de Angola com o Governo português continua a existir 'uma pedra no sapato'". "Ou seja: deixou de haver um irritante com o Estado português mas continua a existir um irritante com o Governo português."

Alvo ainda de fortes críticas de Mendes foi a decisão do Banco de Portugal de emitir um parecer contra a divulgação da lista dos grandes devedores incumpridores à banca. Uma decisão "lamentável e censurável" porque, entre outras razões, o Banco de Portugal "está objectivamente a beneficiar o infractor".

É que "são muito milhões de euros que os bancos perderam" e "ainda esta semana foi divulgado mais um caso - a Ongoing a dever 700 milhões a dois bancos". "São empresas falidas e por isso não pagam mas em que os seus donos vivem à grande e à francesa" e mas "infelizmente o Banco de Portugal faz o contrário", o "jogo dos grandes devedores e tenta evitar que eles escapem a uma censura pública e social". "É destes comportamentos que se alimentam os populismos. Depois não se queixem."

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