Marinha prevê primeiros destacamentos de drones em 2020

Diferentes tipos de aparelhos não tripulados e baixo custo passarão a estar em utilização nos navios e nas unidades de fuzileiros

"Precisamos de ter quatro ou cinco drones diferentes", prevendo-se que os primeiros destacamentos para as fragatas estejam operacionais "a partir de 2020", explica ao DN o comandante António Mourinha.

Este oficial da Marinha foi um dos responsáveis pelo exercício aeronaval REP18, coorganizado com a NATO, de aparelhos não tripulados, que decorreu esta semana nas áreas de Sesimbra e Peniche, no qual participaram ainda a Força Aérea, as Armadas dos EUA e da Polónia, centros de investigação e empresas privadas portuguesas e estrangeiras.

A necessidade de ter vários modelos de drones - aéreos, de superfície e submarinos - justifica-se pelas diferentes missões e necessidades operacionais da Marinha: os maiores com capacidade para descolar e aterrar a bordo das fragatas, alguns mais pequenos e "talvez com asa rotativa" para equipar os navios de patrulha oceânica e as lanchas, outros de subsuperfície, refere o capitão-de-fragata.

Para as forças especiais - unidades de fuzileiros e Destacamento de Ações Especiais (DAE) - também serão precisos "dois ou três" modelos de drones: uns do "tipo mosca" para operar em zonas urbanas e outros para progressão anfíbia, transportados nas mochilas e lançados manualmente, adianta o comandante António Mourinha.

O desafio de "desenvolver tudo ao mesmo tempo"

Mourinha, que tem estado envolvido no planeamento e execução dos exercícios da série REP nos últimos anos, destaca o desafio que representa "desenvolver tudo ao mesmo tempo". Contudo, o mais importante é conseguir desenvolver os drones de forma segura e "à medida das nossas necessidades".

Daí a importância dos "exercícios de experimentação", onde se pode errar, corrigir e voltar a testar sem correr os riscos de o fazer em testes "de demonstração" - onde um falhanço envolve sempre uma dose de desânimo e frustração, reconhece o militar.

"Só devemos mostrar tecnologia com maturidade e que dá certezas" de sucesso, embora assumindo que há sempre alguma dose de risco associada, conclui o comandante António Mourinha.

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