Marcelo: "Portugal foi sempre um aliado leal, dedicado e competente" da NATO

Cerimónia militar em Belém, junto ao rio Tejo, assinalou os 70 anos da fundação da Aliança Atlântica e onde o Governo se fez representar apenas por secretários de Estado.

"Portugal foi sempre um aliado leal, dedicado e competente" durante os 70 anos de existência da NATO, que se mantém como "uma das coordenadas essenciais da sua visão do mundo e da sua política externa", afirmou esta quinta-feira o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa discursava na cerimónia militar comemorativa do 70º aniversário da Aliança Atlântica, realizada junto ao Padrão dos Descobrimentos e a que assistiram algumas das mais altas individualidades civis e militares do país, o líder da oposição, Rui Rio (presidente do PSD), membros do Governo - embora não o primeiro-ministro nem por qualquer ministro - e do Parlamento, atuais e antigos chefes militares ou figuras como Adriano Moreira e Jaime Gama.

"Portugal tem vivido em democracia sempre considerando a Aliança Atlântica como uma das coordenadas essenciais da sua visão do mundo e da sua política externa. Mudam os presidentes, a composição do Parlamento, os primeiros-ministros e os governos e essa coordenada permanece firme, sólida, constante, inquestionável", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa cerimónia com 940 militares das Forças Armadas e da GNR, marcada pelo vento frio que se fazia sentir junto ao rio Tejo ao ponto de Adriano Moreira ter de deixar a primeira fila para ficar mais abrigado, o Presidente e Comandante Supremo das Forças Armadas lembrou que Portugal "tudo fez para aderir" à Aliança Atlântica em 1949, embora sendo "um regime abertamente antidemocrático e antiliberal".

Mas "o peso do aliado britânico, o pragmatismo dos EUA e de outros membros da Aliança", assim como "a noção da importância estratégica portuguesa evidente na guerra e em particular no Atlântico, com os Açores, valeram mais que questões de afinidades ideológicas", realçou Marcelo Rebelo de Sousa.

Evocando o período da Guerra Fria e das décadas de ditadura em Portugal, que "insistiu sem sucesso" junto da NATO para que olhasse em direção ao Atlântico Sul, Marcelo adiantou: "De todas as alianças concebidas após a guerra, foi a Aliança Atlântica que resistiu mais e melhor."

A NATO "soube ajustar-se aos terrorismos sem estado e com estados de apoio, soube entender os novos desafios do leste europeu, soube perceber a ciber estratégia em explosão, soube apreender a sensibilidade a questões comerciais, energéticas e às alterações climáticas, soube finalmente assumir uma visão a 360 graus", virada também para África, "soube começar a valorizar o Atlântico como um todo", referiu o Presidente da República.

"É verdade que demorou às vezes tempo de mais a atingir essas perceções, mas chegou lá e 70 anos depois reganha todo o sentido e é muito atual", sendo crucial para isso a relação entre os dois lados do Atlântico, frisou Marcelo.

Sublinhando que "a Aliança Atlântica e a NATO, sua expressão militar, continuam vivas, importantes, determinantes" no atual quadro da "estratégia transatlântica", o Presidente da República garantiu que "Portugal não mudou", já que "viu muito cedo o que outros só veriam mais tarde" e porque "continua a ter os seus valorosos militares prontos e eficazes" para intervirem onde for necessário.

Numa aparente alusão à política isolacionista do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: "Mesmo quando os aliados hesitam em perceber a relevância da sua posição no Atlântico, ou chegam mais tarde do que competidores económicos, ou não usam cabalmente a sua capacidade cibernética, Portugal pacientemente espera e responde sempre que é necessário, com os seus excecionais militares sempre louvados nos mais diversos palcos externos."

A terminar a sua intervenção, o Chefe do Estado defendeu ser "tempo de não parar, de manter a coesão, antecipação e lucidez na análise do mundo a mudar a ritmo alucinante" - assim como "de liderar os acontecimentos, de ultrapassar visões domésticas, eleitorais ou pessoais de curtíssimo prazo".

Sendo igualmente tempo de a Aliança "fazer valer princípios e estratégias para um mundo mais livre, mais justo, mais aberto, mais respeitador da dignidade da pessoa e dos seus direitos", o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas concluiu a sua intervenção com uma garantia pautada por ressonâncias castrenses: "O Portugal democrático diz presente e pronto na Aliança Atlântica."

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