Marcelo não comenta situação do PSD mas diz ser bom uma oposição forte

O Presidente da República recusou nesta quinta-feira pronunciar-se sobre a situação do PSD, mas reiterou o entendimento de que, em abstrato, é bom para a democracia haver uma oposição forte, assim como uma área de governo forte.

Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre a agitação interna no PSD à saída de uma iniciativa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e respondeu que, por princípio, "não se pronuncia sobre a situação interna de nenhum partido e, portanto, não abre uma exceção" para comentar "aquilo que é próprio da vida partidária, ou da vida sindical, ou da vida patronal".

"Eu o que sempre disse, em abstrato, e mantenho, foi que é bom haver uma área do governo forte e uma oposição ou oposições fortes, isso é bom, e haver alternativas de poder", acrescentou o Chefe do Estado, que falava no final de uma conferência promovida pela associação Ajuda de Berço.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, isso "é bom para a democracia e é bom para um Presidente da República, porque quanto mais alternativas houver em termos de governação e de poder, naturalmente, mais escolha têm os portugueses e mais fácil é resolver situações de crise".

"Agora, isto é em geral assim. Em concreto, em cada momento, o que se passa no sistema político português é aquilo que resulta da vivência da democracia. E o Presidente da República tem uma posição arbitral e tem de ter uma posição arbitral, não se pronuncia sobre a situação no partido A, B, C, D", frisou.

Luís Montenegro quer disputar a liderança do PSD e vai desafiar o presidente do partido, Rui Rio, a convocar "eleições já", anunciou hoje uma fonte próxima do ex-deputado, adiantando que este dará uma conferência de imprensa na sexta-feira, às 16.00, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Por sua vez, Miguel Morgado, antigo assessor político de Passos Coelho, afirmou também hoje que, se forem convocadas eleições diretas no PSD, irá ponderar "muito a sério a possibilidade de ser candidato", uma decisão independente de uma candidatura de Luís Montenegro.

Perante a insistência da comunicação social para que falasse sobre a situação do PSD, partido que em tempos liderou, há cerca de 20 anos, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "é legítimo que queiram saber a reação do Presidente da República", mas que não pode "imiscuir-se na vida interna de um partido".

O Chefe do Estado defendeu que deve conter-se ainda mais em ano eleitoral: "Na minha modesta opinião, num ano eleitoral, o ideal seria que quanto mais contida fosse a intervenção do Presidente melhor. Não sei se essa é a opinião dos portugueses, mas eu penso que é a opinião mais sensata."

No que respeita aos três atos eleitorais deste ano, disse que "o que tinha a fazer já fez", ouviu os partidos e anunciou o calendário, que começa com eleições europeias a 26 de maio, seguindo-se as regionais da Madeira a 22 de setembro e as legislativas em 6 de outubro.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "em tempo oportuno, daqui por umas semanas, convocará as eleições europeias, depois, um bocadinho mais tarde, convocará as eleições legislativas e, antes disso, as eleições na Madeira, com muita antecedência, para que o calendário, que já está definido, fique concretizado".

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