Isabel Estrada Carvalhais será a substituta de Bradford

Professora universitária no Minho, independente, com 46 anos, a nova eurodeputada vai ocupar o lugar de André Bradford, que morreu esta quinta-feira. Presidente do Parlamento Europeu já foi informado da morte do socialista.

É independente e foi uma das surpresas na lista socialista para as eleições europeias: Isabel Estrada Carvalhais é a professora universitária que substituirá André Bradford, o eurodeputado que morreu esta quinta-feira depois de ter tido uma paragem cardiorrespiratória no dia 8 de julho.

A Delegação Socialista no Parlamento Europeu já comunicou a morte de Bradford ao presidente do Parlamento Europeu, o italiano David Maria Sassoli, confirmou o DN. Será o socialista Sassoli que contactará a Comissão Nacional de Eleições, em Portugal, para que seja indicado o nome do primeiro não-eleito do PS para ocupar o lugar deixado vago pela morte abrupta do eurodeputado açoriano: é Isabel Estrada Carvalhais, a 10.ª da lista socialista.

Casada, mãe de um rapaz, Isabel Carvalhais, 46 anos, é doutorada em Sociologia e professora associada da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. Diretora da licenciatura em Ciência Política, diretora-adjunta e investigadora integrada do Centro de Investigação em Ciência Política, na Universidade minhota, Isabel Carvalhais nasceu no norte de Angola e viveu entre Vila Verde e Braga.

Numa entrevista ao Semanário V , em 17 de maio passado, a candidata recusava que o 10.º lugar fosse desprestigiante. "Este lugar tem hipóteses de eleição. Há muito tempo que o distrito de Braga não conseguia ter ninguém no lugar elegível. E quando se diz que não está em lugar elegível, é uma forma de descredibilizar. Não estamos aqui para substituir ninguém. Os deputados europeus não são eleitos por distritos. Passa-se essa linguagem simplificada à opinião pública, e o que os deputados têm de fazer é defender todos os cidadãos europeus que residem em Portugal. É assim que as coisas deveriam ser postas", explicou-se. E defendeu, mais à frente, que "eurodeputado não é uma profissão, é uma missão".

Num texto recente, num espaço de opinião do jornal online Sete Margens, Isabel Estrada Carvalhais (que assume noutro texto a sua condição de católica) reflete sobre a História, notando que são "recorrentes nos discursos nacionalistas que se reanimam um pouco por toda a Europa, a negação e a revisão histórica [que] emergem pois frequentemente, ao questionarem-se colaboracionismos, cumplicidades, mas também, por exemplo, a existência de uma efetiva dimensão ditatorial" de "regimes autoritários da Europa do século XX".

"Eurodeputado não é uma profissão, é uma missão."

A futura eurodeputada socialista acrescenta que "um dos sucessos dos regimes autoritários sempre esteve na forma como souberam acautelar que parte das populações não tivesse experiência direta do seu lado negro", transferindo assim "a tarefa futura de luta pela sua insidiosa legitimação histórica para aqueles que foram poupados às garras da ditadura, na exata medida em que as suas próprias memórias nada tiveram das experiências dos perseguidos, dos injustiçados, dos exilados, dos torturados, dos assassinados".

Isabel Estrada Carvalhais esteve muito perto de ser eleita para Bruxelas logo no dia 26 de maio: o 21.º eurodeputado português foi decidido entre bloquistas, comunistas e socialistas, acabando por cair para a eleição do segundo deputado do PCP.

O Parlamento Europeu entra de férias a 26 de julho e retoma os seus trabalhos a 2 de setembro. Fonte socialista indicou ao DN que provavelmente a deputada só tomará posse nessa altura.

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