"Substituição da PGR é talvez a decisão mais estranha tomada pela geringonça"

Ex-Presidente da República Cavaco Silva considera estranha a não recondução de Joana Marques Vidal.

"A não recondução da Dra. Joana Marques Vidal é algo que eu considero muito estranho, estranhíssimo", declarou o ex-Presidente da República Cavaco Silva, à margem de um congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).

Citado nesta quarta-feira pelo site da Rádio Renascença, o ex-Chefe do Estado e antigo líder do PSD sublinhou que o contributo de Joana Marques Vidal, cujo mandato termina a 12 de outubro, foi decisivo para a credibilidade do Ministério Público em Portugal.

"Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do governo que geralmente é reconhecido como geringonça", disse Cavaco, referindo-se ao executivo socialista de António Costa, que governa com o apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português.

Lucília Gago foi anunciada na semana passada como sucessora de Joana Marques Vidal na Procuradoria-Geral da República. A não recondução de Marques Vidal, tema que há meses fazia correr tinta nos jornais, causou alguma controvérsia entre os partidos políticos.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?