Santos Silva preocupado com portugueses na Venezuela

Ministro dos Negócios Estrangeiros mostra preocupação com o agravamento das tensões direcionadas contra os portugueses e lusodescendentes na Venezuela. Secretário de Estado das Comunidades vai a Caracas.

"Temos visto com muita preocupação que nas redes sociais na Venezuela se multiplicam declarações agressivas e até ameaças de retaliação contra os portugueses ou contra os seus estabelecimentos", afirmou o ministro Augusto Santos Silva à TSF. O dirigente deslocou-se nesta segunda-feira a Bruxelas para participar num conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

A Venezuela fez parte dos temas em discussão pelos ministros europeus, a par da situação na Líbia e no Sahel (faixa de países africanos que vai da Mauritânia até à Eritreia do outro lado do continente).

"Tivemos conhecimento da realização de uma manifestação frente às instalações da nossa chancelaria na semana passada. Temos verificado ao longo destes meses declarações públicas hostis feitas por altos dirigentes do regime de Maduro", continuou Santos Silva.

Sobre a manifestação que decorreu em frente ao consulado português, a pedir o dinheiro do Estado venezuelano bloqueado pelo Novo Banco, o chefe da diplomacia comentou: "Portugal é um estado de direito, uma democracia política e uma economia de mercado e os bancos não obedecem aos governos."

Secretário de Estado em Caracas

O ministro informou que o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, irá estar em Caracas na quinta e sexta-feira, numa missão com os homólogos de Espanha, Itália, Suécia e Uruguai. Esta missão foi decidida na última reunião do Grupo de Contacto Internacional para a Venezuela, que decorreu em São José, na Costa Rica.

O chefe de diplomacia indicou que a missão tem como "objetivo fundamental apresentar a todas as partes da Venezuela o trabalho feito pelo Serviço Europeu de Ação Externa", que considerou "muito interessante e muito útil, porque mostra, em relação a cada ponto-chave do que deve ser um processo eleitoral conducente a novas eleições presidenciais na Venezuela, quais são as alternativas possíveis e quais são os pontos de compromisso possíveis".

"É muito importante fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar radicalização e a demasiada polarização que pode bloquear uma solução pacífica para a crise venezuelana e insistir, com sugestões e propostas práticas, em que é inteiramente possível superar a crise política na Venezuela através da convocação de eleições democráticas, livres e justas", prosseguiu.

Questionado sobre se esta missão vai encontrar-se com o líder Nicolás Maduro, Santos Silva disse não ter ainda essa informação, mas lembrou que "as missões técnicas que foram enviadas até agora reuniram-se sempre com todas as partes no processo venezuelano" e reafirmou que, neste momento, o Grupo de Contacto Internacional "é provavelmente a única plataforma internacional de apoio à Venezuela que tem esta capacidade de interlocução com todos os atores relevantes" no país.

Portugal é um dos mais de 50 países que reconheceu Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como chefe de Estado interino. Mas o regime chavista não dá mostras de ceder e o poder de facto mantém-se com Maduro, apoiado pelos militares.

No domingo, um general pediu às forças armadas para se revoltarem contra o presidente de facto. Num vídeo publicado no YouTube, Ramon Rangel, com uma cópia da Constituição, apela aos militares para se libertarem do "castro-comunismo".

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