Santana Lopes escreve carta aos militantes a explicar porque sai do PSD

Pedro Santana Lopes despediu-se dos militantes após 40 anos de militância ativa

Pedro Santana Lopes está mesmo de saída do PSD e, nesse sentido, já escreveu uma carta aos militantes a explicar porque deixa o partido. O teor da carta só este sábado será conhecido, mas o antigo primeiro-ministro revelou ao jornal Observador excertos dessa missiva aos militantes do PSD.

"Um texto difícil". É assim que começa o texto para se despedir do partido onde esteve 40 anos em militância ativa com "momentos únicos" e "extraordinários",

Eis alguns dos excertos da carta:

"O que constatei foi que o PSD gostava muito de ouvir os meus discursos, mas ligava pouco às minhas ideias."

"Entendo (...) que não faz sentido continuar numa organização política só porque lá estamos há muito, ou porque em tempos alcançamos vitórias e concretizações extraordinárias se, no passado e no tempo que importa, no tempo presente, não conseguimos fazer vingar ideias e propostas que consideramos cruciais para o bem do nosso País."

"A Política deve ser lutar por aquilo em que acreditamos ser o melhor para a Comunidade de que fazemos parte. Sonho com um País em que a Cultura, o Ambiente, a Inovação, a Investigação, o Mar, sejam verdadeiras prioridades, orçamentalmente assumidas e, antes disso, assumidas na consciência nacional."

"Vinha aí uma estratégia de condescendência para com o PS, para mim, um erro grave. Disse, e repeti, que os militantes deveriam rejeitar a via que, de modo mais ou menos explícito, admitia o Bloco Central."

"Quero intervir politicamente num espaço em que não se dê liberdade de voto quando se é confrontado com a agenda moral da extrema - esquerda."

"Como líder político [Passos Coelho], mostrou ser sério, competente, coerente. Como pessoa, distingue-se pela educação e pela integridade [...] Com a sua saída, o quadro passou a ser outro. Tinha de lutar pelo que preconizo há décadas. Por isso, decidi candidatar-me à liderança do PPD/PSD e deixar funções na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Foi uma opção difícil".

Numa entrevista à Visão, em junho, Santana Lopes admitiu criar "uma nova organização partidária" que lhe permita "ter a intervenção política" necessária para dar corpo às suas ideias.

O ex-primeiro-ministro garantia já na altura que vai deixar o PSD, partido com o qual admitia ter uma "relação de amor espantosa", e até utilizava uma imagem conjugal para definir como estava esse relacionamento: "Se quiserem, deixámos de viver juntos", afirmava à Visão.

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