Santana disponível para fazer alianças "em nome do interesse nacional"

Pedro Santana Lopes encerrou os trabalhos do primeiro dia do congresso fundador da Aliança com uma intervenção de mais de uma hora.

Pedro Santana Lopes disse este sábado que as intervenções no primeiro dia do congresso fundador da Aliança já mostraram que "não é" o partido de "uma pessoa só" e mostrou-se disponível para fazer coligações "em nome do interesse nacional".

O líder da Aliança - "um partido de direitas mas" onde "cabem pessoas de centro e da esquerda moderada" - intervinha, num tom informal e durante mais de uma hora, no final dos trabalhos do primeiro dia do congresso, em Évora, numas instalações em que o espaço foi cedido pela autarquia comunista.

"Cada vez mais me convenço que foi a opção certa" criar o partido Aliança, que ao fim de quatro meses e com cada um dos oradores deste sábado a "dizer quem é e de onde vem" já mostrou ter "dimensão nacional", afirmou Santana Lopes, dizendo "não querer fazer um discurso mas conversar" cpm os congressistas.

Os portugueses "vão ouvir o que quase nunca vão gostar" da Aliança, mas este não é um partido radical e está disponível para "celebrar acordos em termos do interesse nacional" porque o país "tem de mudar" as politicas das últimas décadas e "não por questões pessoais".

Fazendo fortes críticas ao Governo e em especial à situação que se vive no SNS, Santana Lopes insistiu que "é preciso um caminho novo" e disse algo"pela primeira vez": Portugal "estaria melhor" atualmente se o então presidente Jorge Sampaio "não tivesse feito o que fez" ao seu governo.

"Que país é este?", questionou várias vezes Santana Lopes, várias vezes interrompido pelas palmas dos congressistas, ao citar exemplos de situações negativas - como as dos estivadores "contratados e despedidos todos os dias durante 20 anos" - e com as quais os portugueses se vão conformando e "aceitando como se fosse normal".

Atrasos de anos na obtenção de certidões, no pagamento de reformas a emigrantes ou na resolução de casos judiciais foram outros exemplos citados por Santana Lopes antes de exclamar: "Mas não há vergonha na cara? Não há maneira de pôr isto na ordem?" Mais, "é um crime de lesa pátria tudo o que se tem passado com o SNS" durante a legislatura do "Governo de esquerda", declarou o líder do Aliança.

Santana Lopes insistiu muito na importância do crescimento económico do país e criticou as políticas desenvolvidas em Portugal nas últimas três décadas com o beneplácito de Bruxelas e deixou um apelo a que os portugueses "dêem uma chance" a um partido que tem "uma regra sagrada: prometer na eleição e cumprir na ação."

Presidenciais

Embora afirmando que a questão do apoio à reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa" ainda não é uma questão e que a Aliança "não é oposição ao Presidente da República", Pedro Santana Lopes disse estar "ao lado dele" sempre que é atacado e de forma injusta, como no caso de Tancos.

Agora, "vamos ser exigentes com ele" porque "há coisas que não temos percebido bem", argumentou o fundador e presidente da Aliança - acrescentando que "não quer" que o Presidente "privilegie a oposição" mas que, embora defensor da solidariedade entre Belém e São Bento, "também não é preciso exagerar" nessa proximidade que disse haver entre Marcelo e António Costa.

Considerando que o sorriso que o primeiro-ministro exibe frequentemente como "um dos grandes enigmas da política portuguesa" face ao estado do país, em que países do leste europeu "que competem" com Portugal "crescem mais", Santana Lopes deixou novas perguntas: "Estamos a convergir" com a UE? "Quanto?" António Costa "ri de quê?"

A degradação no SNS foi um dos aspetos que mais críticas mereceu do presidente da Aliança, que numa das ocasiões citou dados públicos para afirmar que o governo de Passos Coelho injetou mais dinheiro no setor da Saúde do que "o governo das esquerdas" - as quais "já estão a atirar dívidas de 2,9 mil milhões de euros do SNS para baixo do tapete", criando as condições para uma eventual nova bancarrota.

Sublinhando que Portugal não cresce tanto podia e devia "por preconceito de quem está no poder", Pedro Santana Lopes concluiu ser "muito difícil crescer assim" - mas é essencial para "a receita crescer, o PIB aumentar" e haver "mais recursos para financiar a despesa" que há.

"Não podem acreditar no controlo férreo da despesa" como o alfa e o ómega das políticas públicas pois, se isso "é importante", a verdade é que "o país galvaniza-se com objetivos positivos", insistiu Santana Lopes. "Queremos chegar à média europeia e dizer, estamos fartos de perder nível de vida", instou o antigo presidente do PSD.

Santana Lopes acusou ainda "as esquerdas" de serem facciosas e de terem "dois pesos e duas medidas" na forma como reagem e falam com e dos dirigentes sindicais de esquerda (como os dos professores, com Mário Nogueira à cabeça) e com quem não é de esquerda - como os atuais representantes dos enfermeiros.

"Esta frente de esquerda é faciosa", porque "podem parar as escolas" mas Mário Nogueira "é muito respeitável" e até falam com ele na rua (uma alusão a um diálogo recente de vários minutos entre o líder da FENPROF e o primeiro-ministro) - "agora quando os enfermeiros têm uma bastonária que não é da cor deles já acusam de tudo", insurgiu-se ainda Santana Lopes.

O presidente da Aliança volta a intervir domingo, no encerramento do congresso fundador da Aliança e onde estarão presentes dois representantes da Presidência da República, a secretária do Conselho de Estado e um assessor político.

Quanto aos membros dos órgãos dirigentes do novo partido, a conhecer e eleger este domingo, os únicos que estão certos são os de Santana Lopes, como presidente da Aliança e Ana Costa Freitas (reitora da Universidade de Évora), como presidente da Mesa do Congresso.

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