PCP leva a votos aumento de salário mínimo para 650 euros

Bancada comunista entregou projeto de resolução que obrigará Parlamento a votar. Patrões estão pouco disponíveis para aceitar aumento acima de 600 euros

Os comunistas vão desafiar os socialistas a dizerem no Parlamento se querem aumentar o salário mínimo nacional para 650 euros em 1 de janeiro de 2019, com a apresentação de um projeto de resolução que recomenda ao Governo socialista esse aumento.

O valor proposto é aquele que o secretário-geral da CGTP propôs no 1.º de maio deste ano e que logo depois seria assumido pelo partido. O Governo tem falado sempre no seu objetivo que é chegar aos 600 euros, enquanto que a UGT avançou com uma proposta de 615 euros.

Agora, na rentrée parlamentar, como no ano passado, o grupo parlamentar comunista defende que "o aumento do salário mínimo nacional é imperioso, por razões de justiça social e de uma mais justa distribuição da riqueza, mas também por razões de carácter económico, uma vez que assume especial importância no aumento do poder de compra, na dinamização da economia e do mercado interno".

Segundo o PCP, este "aumento extraordinário" - que seria o maior de sempre - "visa repor o "poder de compra perdido pelos trabalhadores" e para "fazer face ao custo de vida". Os comunistas defendem que, a partir deste valor de 650 euros, serão feitos "os aumentos anuais regulares".

Este "aumento extraordinário" - que seria o maior de sempre - "visa repor o "poder de compra perdido pelos trabalhadores"

O PCP refuta os argumentos que têm sido "invocados para não aumentar o salário mínimo nacional", nomeadamente o que dizem ser "a falsa ideia do peso das remunerações na estrutura de custos das empresas e no seu suposto efeito negativo para a competitividade".

Segundo o projeto de resolução, que vai dar agora entrada no Parlamento, "as remunerações têm um peso de apenas 18% na estrutura de custos das empresas, muito inferior a um conjunto de outros custos, designadamente com a energia, combustíveis, crédito ou seguros".

PS e BE inscreveram no seu acordo que permitiu a governação socialista de António Costa que o salário subiria gradualmente até aos 600 euros em 2019, o que mereceu sempre as farpas de comunistas. E o Governo tem cumprido com esse aumento gradual, mas remetendo a discussão para sede de concertação social.

Em junho passado, os patrões vieram admitir a possibilidade de o salário mínimo poder ser aumentado para lá dos 600 euros, no que foi entendido como uma aproximação ao valor proposto pela UGT, mas o presidente da CIP-Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva já recuou e avisou que "as condições [para esse aumento] têm vindo a degradar-se".

"Lamentavelmente, desde a altura em que fiz essas declarações até hoje, ao contrário do que seria desejável para o país, e não apenas para nós, as condições têm vindo a degradar-se", disse, citado pelo jornal Eco.

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