Intervenção e Resgate Animal está a ser investigado por assalto à mão armada

PAN recusa ligações ao grupo extremista de defesa dos animais e diz que a chefe de gabinete do partido "prestou esclarecimentos jurídicos à associação em nome individual"

O autodenominado Intervenção e Resgate Animal (IRA), um grupo extremista de defesa dos animais, está a ser investigado pela Polícia Judiciária por assalto à mão armada. De acordo com fonte autorizada da PJ ao DN, não está em cima da mesa a suspeita de terrorismo.

O grupo terá como principal atividade o resgate forçado de animais maltratados. Na reportagem da TVI, várias pessoas que se apresentam como vítimas do IRA dizem ter sido ameaçadas e agredidas, além de terem sido alvo de apelos à violência nas redes sociais.

O PAN veio, entretanto, negar qualquer ligação ou relação especial com o IRA. Questionado pelo DN sobre a relação do partido com este grupo, o PAN respondeu que "não tem qualquer ligação ou relação com esta entidade que seja diferente de todas as outras". O partido admite que recebeu a "associação Intervenção e Resgate Animal na Assembleia da República, há cerca de um ano", como recebe "muitas outras associações, pessoas em nome individual ou grupos informais".

"Nessa audiência concedida pelo PAN esteve presente o deputado André Silva, tendo a associação demonstrado as suas preocupações relativamente à lei nº 69/2014, que criminaliza os maus tratos a animais, e sobre políticas públicas de controlo de população de animais de companhia. A reunião demorou cerca de uma hora e este foi o único contacto que o deputado André Silva teve com esta associação", refere o partido, numa resposta idêntica à que consta de um comunicado emitido, já esta tarde, pelo partido.

Quanto ao alegado envolvimento da chefe de gabinete, Cristina Rodrigues, nas atividades daquele grupo, o Pessoas-Animais-Natureza sustenta que a dirigente (que também integra a comissão política do partido) "não é representante legal deste grupo" e que "prestou esclarecimentos jurídicos a esta associação em nome individual, desconhecendo qualquer prática à margem da lei".

Segundo a reportagem da TVI, emitida na quinta-feira, Cristina Rodrigues é suspeita de ser uma das operacionais do IRA, que surge encapuzada num vídeo do grupo onde se veem pessoas armadas com machados e bastões.

"Tendo em conta algumas imagens transmitidas e até ao esclarecimento dos alegados factos, Cristina Rodrigues cessa todo o apoio a qualquer associação", adianta a resposta do PAN, que diz manter a confiança política na chefe de gabinete do partido na Assembleia da República.

O PAN diz ainda que Cristina Rodrigues dirigiu à Procuradora-Geral da República "um pedido de esclarecimentos sobre a veracidade ou não da existência de uma investigação judicial que inclua a própria, negando as acusações do canal televisivo e disponibilizando-se desde já a prestar todas as declarações necessárias à descoberta e partilha da verdade".

No comunicado emitido esta tarde o PAN "repudia qualquer tipo de ação individual ou coletiva que intimide a sociedade civil e os cidadãos".

Na página de Facebook do grupo, o autodenominado IRA também reagiu à reportagem da estação televisiva, apontando-a como um "claro ataque ao PAN" - "utilizando-nos e denegrindo-nos para posteriormente nos tentarem arremessar com contornos políticos gravíssimos", o que, diz o grupo, "certamente se deverá aos feitos contra a Tauromaquia recentes".

Um "grupo de matulões praticantes de desportos de combate"

Num dos textos publicados no facebook, o grupo define-se assim: "Os maus-tratos aos animais são um problema em Portugal, dos GRANDES! Então um grupo de matulões praticantes de desportos de combate reuniu-se e abraçou não esta causa, mas esta luta. Começou de uma forma impiedosa, conquistou o medo e o respeito dos trastes que abandonam ou cometem atrocidades contra animais".

O autodenominado IRA rejeita as acusações de que é alvo e acrescenta que a peça da TVI emitido na quinta-feira é um "atentado à causa animal, que visa denegrir a imagem e o trabalho de todas as entidades envolvidas na reportagem".

Noutras publicações é referido que membros do IRA estiveram numa escola, para uma ação de sensibilização para os direitos e o bem estar animal.

PCP e PEV exigem explicações

O PCP e o PEV já vieram pedir explicações sobre as alegadas ligações do PAN a este grupo. Em comunicado, o PCP exige o "cabal esclarecimento desta situação e o correspondente apuramento de responsabilidades". E não poupa críticas ao Pessoas-Animais-Natureza, acusando o partido de, "sob o manto de preocupações sobre a natureza e os animais, e assente num discurso de intolerância" promover uma "orientação de incriminação, de estímulo à delação e de criminalização de hábitos sócio-culturais". O que constitui em si mesmo, acrescenta o PCP, um "caldo de cultura para justificação de práticas criminosas".

Também a deputada do PEV Heloísa Apolónia veio afirmar que as "acusações que são feitas de ligação direta do PAN ao IRA, são gravíssimas, a confirmar-se. Temos consciência dessa gravidade e a bola está do lado do PAN, que deve de facto uma explicação cabal sobre essa situação ao país". "A defesa dos direitos dos animais é totalmente incompatível com quaisquer atuações e práticas de violência, de agressão, de terror", sublinhou a parlamentar.

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