Gomes Cravinho verifica segurança dos paióis da Marinha e do Exército

Primeiras visitas protocolares do ministro da Defesa à Marinha e ao Exército dominadas pela situação dos paióis no Marco do Grilo e Santa Margarida.

O ministro da Defesa visita pela primeira vez a Marinha na quarta-feira e o Exército na sexta-feira, onde vai verificar as medidas de segurança dos paióis que foram implementadas após o furto em Tancos.

​​​João Gomes Cravinho, que tomou posse a 15 de outubro e duas semanas depois visitou o Estado-Maior General das Forças Armadas, vai deslocar-se aos paióis do Marco do Grilo (Marinha) e no Campo Militar de Santa Margarida (Exército) - os quais receberam parte do material de guerra transferido de Tancos após o furto ali ocorrido no final de junho de 2017.

A visita à Marinha, primeiro dos ramos na hierarquia das Forças Armadas, começa com a ida ao Comando Naval (no Alfeite) para se inteirar sobre o seu sistema de forças, atividade operacional e plano de manutenção das esquadras, sendo recebido depois a bordo da D. Francisco de Almeida.

Sexta-feira, o ministro desloca-se ao Campo Militar de Santa Margarida (Constância), sede da Brigada Mecanizada e para onde foi transferida a maior parte do material de guerra retirado dos paióis de Tancos - entretanto desativados.

O objetivo será o mesmo da ida à Marinha e da sutura deslocação à Força Aérea: conhecer as dificuldades em matéria de efetivos, os respetivos sistemas de forças e dispositivo, a sua atividade operacional - dominada a nível terrestre pelas missões na República Centro-Africana e no Afeganistão, a par do apoio às entidades civis em território nacional - e planos de modernização.

Mas, tanto na Marinha como no Exército, o tema central vai ser a situação de segurança dos paióis após a adoção das medidas de segurança e de vigilância implementadas após o furto de material de guerra em Tancos - e cuja revisão ficou assente na reunião que o primeiro-ministro realizou em São Bento com o ministro da Defesa e as chefias militares.

As deslocações aos paióis militares do Marco do Grilo (Marinha), na quarta-feira, e de Santa Margarida (Exército), realizam-se já depois de terminadas as visitas oficiais e serão fechados à comunicação social, segundo o Ministério, por serem áreas classificadas e de risco.

"[É] fundamental ter a garantia de que as lições foram aprendidas" com o caso de Tancos, declarou João Gomes Cravinho nas cerimónias do Dia do Exército, em Guimarães, quase duas semanas após tomar posse..

O ministro tem repetido desde então que está a avaliar com as chefias militares as medidas tomadas na sequência do furto de Tancos, nomeadamente o reforço da segurança física das instalações e os investimentos em infraestruturas, em sistemas de videovigilância e de inventariado.

Recorde-se que, em Tancos, foram furtadas granadas, explosivos, foguetes lança-granadas e munições que - à exceção das balas - apareceram três meses e meio depois na Chamusca, numa operação da PJ Militar (PJM) feita à revelia do Ministério Pública e da PJ - e pela qual já foram constituídos nove arguidos, entre os quais cinco militares daquela polícia e três da GNR.

A 19 de setembro de 2017, o então ministro da Defesa Azeredo Lopes determinou a implementação de um conjunto de medidas para reforço das condições de segurança das instalações dedicadas ao armazenamento de material militar sensível.

Os despachos assinados por Azeredo Lopes determinavam ainda alterações ao nível dos recursos humanos, visando o "aperfeiçoamento dos processos de seleção, certificação, formação e treino dos militares dedicados a funções de segurança", segundo foi anunciado na altura.

Ao nível das infraestruturas, o anterior ministro determinou prioridade à realização de obras nas várias instalações reabilitação das vedações e videovigilância e a melhoria das condições de habitabilidade dos militares empenhados naquelas missões.

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