Militante histórico expulso do PCP por criticar acordo com a geringonça

Guilherme Antunes, licenciado em História de Arte e que pertenceu à direção política da concelhia de Cascais, foi ainda acusado de desvio de fundos. Diz-se vítima de "processo kafkiano" e "perseguição política".

Um militante do PCP que durante vários anos integrou a concelhia política de Cascais, e que esta semana foi expulso do partido, diz-se vítima de "perseguição política", no que descreve como um "processo kafkiano".

Em declarações ao semanário Expresso, Guilherme Antunes, 69 anos, licenciado em História de Arte, diz ter recebido como "um soco no estômago" a decisão da Comissão Central de Controlo do partido, relacionada com críticas que fez nas redes sociais à manutenção da solução de apoio parlamentar do PCP ao governo socialista (geringonça) e alegadas irregularidades por si cometidas em Cascais.

Na nota de expulsão, referida na edição online daquele jornal, Guilherme Antunes é visado por várias "publicações nas redes sociais" em que terá proferido "calúnias" ao próprio partido e revelado um comportamento "indigno de quem se afirma comunista". A isto soma-se a acusação de que terá desviado dinheiro dos cofres da concelhia de Cascais e ficado com quotizações de militantes.

Guilherme Antunes nega todas as acusações, afirma nunca ter sido ouvido pelo partido sobre alegadas irregularidades na concelhia, e considera-se alvo de "uma campanha negra, uma vilania inominável e uma indecência", cuja finalidade será "pôr em causa" a sua honra de forma a justificar "um processo kafkiano" e de "perseguição política".