Leitores confiam mais no Diário de Notícias

Subida no ranking do Reuters Institute é de três lugares - com a confiança renovada dos leitores. Mercado português é dos que mais se preocupa com veracidade da informação consumida e com as notícias falsas


O Diário de Notícias subiu três lugares no índice de confiança dos leitores, segundo o Digital News Report do Reuters Institute, o mais importante diagnóstico mundial na área dos media digitais, que foi lançado hoje. Em 2018, o DN estava em nono lugar do ranking, em 2019 ficou em sexto, mantendo os 7.07, mas ultrapassando o Público que caiu para sétimo lugar. O DN cresceu também na confiança dos leitores que lhe são mais fiéis, de 7.60 para 7,63.

Em relação a 2018, destaca-se a queda de alguns meios de referência, como o Público, de segundo para sétimo lugar, de 7.2 para 7.04, e o Expresso, que cai de 7.32 para 7.19. É acompanhada da do Jornal de Notícias, que sobe um lugar, para quarto, com mais 0.1 no ranking. A subida da SIC Notícias para segundo lugar, com 7.31, acompanha uma preponderância da televisão como fonte de informação, este ano pela primeira vez à frente do online - 81% para 79%.

Desde a sua mudança para o digital, o DN tem feito do rigor uma das marcas do projeto. O combate à desinformação tem sido uma das pedras de toque da mudança que o jornal tem vindo a levar a cabo desde Julho de 2018. Aliás, a estratégia editorial de combate às fake news é referida no relatório da Reuters como um dos destaques, e o trabalho do jornalista Paulo Pena é citado como o que colocou a questão na ordem do dia. "O jornalista de investigação Paulo Pena levou a cabo uma investigação profunda para o jornal Diário de Notícias que revelou as conexões de algumas fake news e sites de desinformação a redes sociais, assim como os seus métodos e apoiantes". A parte portuguesa do relatório é da responsabilidade do Obercom, do Iscte, e coordenada por Ana Pinto Martinho, Miguel Paisana e Gustavo Cardoso.

Esta preocupação vai de encontro ao interesse das audiências no assunto, sendo que os portugueses são o segundo mercado do mundo com mais preocupação em saber se uma notícia é falsa ou verdadeira - tendo esse interesse crescido quatro pontos.

Portugal continua a ser um dos países onde os leitores mais confiam nos media e no jornalismo, apesar da crise que afeta todo o setor. "Este ano, a confiança geral baixou para 58% (-4), mas ainda deixa Portugal em segundo lugar entre 38 países." O consumo de informação através do telefone ultrapassou pela primeira vez o do computador (62% vs 57%) - sendo que os tablets continuam o seu declínio.

A circulação em papel em Portugal continua a sua queda sustentada e o mesmo tempo tem havido pouco progresso em conseguir que os leitores paguem pelas notícias online. A proporção a pagar é apenas de 7%, uma das mais baixas de todo o relatório." O DN recorde-se, tem uma paywall para notícias a funcionar desde a sua mudança de 2018.

Em todo o mundo a situação está a mudar também no que concerne à confiança nas notícias. "As preocupações em relação à desinformação têm levado as pessoas a terem mais cuidado com as marcas que escolhem e o conteúdo que partilham online", de acordo com o relatório. Digital News Report do Reuters Institute for the Study of Journalism na Universidade de Oxford. A maior mudança, curiosamente está a operar-se "entre os mais novos e mais educados, por oposição as mais velhos e menos privilegiados" - e nestes, o aumento de consumo de informação através de podcasts é uma tendência consistente.

A mudança é também mais visível nos países mais afetados por fenómenos de desinformação: quase dois terços (61%) dos consumidores do Brasil e 40% de Taiwan dizem que "decidiram não partilhar uma história sobre a qual não têm a certeza do rigor - em comparação com apenas 13% na Holanda, o país com menos preocupações sobre este assunto".

Paywall não ajudam muito

A crise nos media mundiais continua, sendo que não está a ser mitigada pelas estratégias de pagamento de notícias. "Os modelos pagos estão a começar a funcionar em alguns países, mas apenas para alguns grandes editores", explica o relatório. E talvez isto tenha a ver com o crescimento daquilo a que o relatório chama de "rejeição das notícias", como um todo. "No Reino Unido, mais de metade dos que evitam notícias dizem que elas os fazem sentir tristes enquanto outros dizem que se sentem sem poder para mudar o que acontece."

Rasmus Nielsen, presidente do Instituto Reuters diz que "as boas notícias são que os editores que produzem jornalismo distinto, valioso e confiável estão a ser recompensados com sucesso comercial. As más notícias são que as pessoas acham que muito do jornalismo com o qual se cruzam não tem valor, não é de confiança e não vale a pena pagar por ele."

É bem possível que isto também esteja relacionado com o mar de informação em que os consumidores se sentem mergulhados e com a aparente incapacidade dos meios de comunicação social de explicar o que se passa. Segundo o estudo da Reuters, "cerca de dois terços sentem que os media são bons a manter as pessoas atualizadas, (62%), mas menos a ajudá-las a compreender as notícias (51%). Menos de metade (42%) acha que os media estão a desempenhar um bom papel em controlar os ricos e poderosos - na Hungria este número baixa para 20%.

Algumas mudanças verificam-se no consumo de informação nas redes sociais - os leitores estão a passar cada vez menos tempo no Facebook, e mais tempo a comunicar via WhatsApp, Instagram e YouTube. O caso do WhatsApp é o do maior crescimento, com a informação a circular dentro de grupos fechados, o que aumenta o perigo de desinformação devido à falta de controlo e verificação profissional de informação. Em Portugal, no entanto, o consumo de facebook mantém-se muito elevado - com 53% dos utilizadores a dizerem obter a sua informação nesta rede social. O Youtube mantém-se em segundo lugar e o maior crescimento está no Instagram e no WhatsApp.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.