Força Aérea está a avaliar condições de operação dos Kamov

Chefe da Força Aérea diz que os helicópteros Kamov só serão aceites pelo ramo se estiverem em condições para operar.

A Força Aérea considera que os helicópteros russos Kamov são "um excelente" aparelho para combater fogos florestais, "mas têm de estar em boas condições de operação" para serem usados nessa missão, afirmou esta segunda-feira o general Joaquim Borrego.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA) falava aos jornalistas no final da cerimónia de brevetamento dos oito novos alferes pilotos-aviadores do ramo, na base aérea de Sintra e onde a secretária de Estado da Defesa, Ana Pinto, realçou o papel que o ramo vai desempenhar já este ano em matéria de comando e gestão centralizados dos meios aéreos do Estado empregues no combate aos fogos.

"Está a ser feita a avaliação do estado dos Kamov e depois iremos ver" se há condições para a Força Aérea assumir a responsabilidade pela sua operação e manutenção, sublinhou o CEMFA, dizendo estar em curso a celebração de acordos e protocolos com diferentes entidades envolvidas na missão de combate aos fogos.

A secretária de Estado, na sua intervenção, destacou precisamente "a atitude de colaboração adotada pela Força Aérea na identificação de soluções" e em "coordenação operacional" com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Ana Pinto elogiou também a "formação exemplar e necessariamente exigente" dos pilotos-aviadores na Academia da Força Aérea, que desafiou a procurar novas "formas de recrutar e formar quadros de elevado valor" para servirem nas Forças Armadas.

"A qualidade superior de todos os quadros aqui formados, incluindo os seus pilotos-aviadores, é reconhecida internacionalmente e é demonstrativa da importância que a Força Aérea atribui a uma formação com os mais elevados padrões de exigência", afirmou Ana Pinto.

Policiamento ou patrulhamento?

A secretária de Estado destacou ainda o o contributo da Força Aérea - através dos caças F-16 - para a "missão de policiamento aéreo nos Bálticos", a última das quais no ano passado e nos Bálticos.

Essa missão militar da NATO designa-se em inglês como "Baltic Air Policing", mas a sua tradução literal para português coloca os militares a fazer algo que estão constitucionalmente proibidos de fazer - além de que uma missão militar não é policial.

Questionada sobre isso, a secretária de Estado da Defesa insistiu que "a missão da NATO é policiamento aéreo" e que "essa tradução é feita ao nível" do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) - que, no entanto e como a própria Força Aérea, opta atualmente por manter a designação em inglês (evitando escrever "patrulhamento aéreo").

Ter uma "asa tão grande" ao peito

Um dos oito novos alferes pilotos-aviadores da Força Aérea é Tiago Oliveira, natural de Vila Nova de Gaia e que disse sentir "muto orgulho em acabar o curso e ter esta asa tão grande ao peito" - que assinala a entrada naquele grupo de elite militar.

"É difícil ter estas asas" após um curso de seis anos e meio em que o último "foi o mais marcante e mais difícil", mas agora "o que queremos é continuar a voar, a ir para os céus", afirmou o militar no final da cerimónia.

Tiago Oliveira, 24 anos, vai agora concretizar "o sonho desde criança" na esquadra de transporte dos C-295, sedeada na base do Montijo.

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