Marcelo diz que foi sensato não incluir pergunta étnico-racial no Censos 2021

O Presidente da República considerou hoje que foi uma decisão sensata não incluir no Censos 2021 uma pergunta sobre a origem étnico-racial dos cidadãos, face ao debate gerado, embora a ideia fosse boa.

"Acho que foi uma decisão sensata do Instituto Nacional de Estatística (INE), porque se gerou um debate que não fazia sentido", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta à comunicação social, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Segundo o chefe de Estado, que falava no final de um passeio de elétrico com o seu homólogo austríaco, Alexander Van der Bellen, "a ideia era uma boa ideia, era a ideia de conhecer a realidade portuguesa".

"Mas, criado o debate, penso que foi uma decisão boa a de esvaziar esse debate", reiterou o Presidente da República.

Enquanto percorria o Terreiro do Paço, até à beira-rio, com paragens para tirar sucessivas fotos com portugueses e estrangeiros, Marcelo Rebelo de Sousa foi também questionado sobre a intenção do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, de repor a atualização anual dos salários da função pública a partir de 2020.

"Eu não me vou pronunciar. Isso é o programa eleitoral e eu não me pronuncio sobre programas eleitorais dos partidos, que é o que vai mais haver daqui até às eleições [legislativas de 06 de outubro]. Não me posso pronunciar, isso era tomar posição", respondeu o chefe de Estado.

António Costa tem remetido para a próxima legislatura a reposição dos aumentos salariais da função pública. Em entrevista ao jornal Expresso, publicada no sábado, retomou essa mensagem, defendendo que é possível, a partir de 2020, voltar "à normalidade de haver atualização anual dos vencimentos" e que há que "rever significativamente os níveis remuneratórios dos seus técnicos superiores".

Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhou esta terça-feira o chefe de Estado austríaco Alexander Van der Bellen num passeio de elétrico em Lisboa durante cerca de meia hora, viagem que tem estado no programa dos chefes de Estado que visitam Portugal, desta vez, com saída da Estrela e passagem pela Lapa e por Santos, seguindo o percurso da carreira 25.

No final, acabaram por se demorar mais uns 20 minutos no Terreiro do Paço, onde Van der Bellen ouviu Marcelo Rebelo de Sousa contar-lhe a história do seu mergulho no Tejo em 1989, quando era candidato à Câmara Municipal de Lisboa: "Foi uma loucura, estava poluído. Foi para mostrar como estava poluído. Eu era novo, tinha 40 anos".

Com o seu homólogo austríaco ao seu lado, e mesmo depois de este se ir embora, o chefe de Estado português foi abordado por pessoas vindas do Brasil, da Turquia, da Colômbia, do Egito, do Reino Unido, dos Estados Unidos da América, da Áustria, de Itália, do Canadá ou de França, com quem acedeu a tirar fotografias e trocou algumas frases em diferentes línguas.

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