Último debate televisivo. Ninguém venceu, ninguém perdeu

Enganou-se quem esperaria do último debate televisivo das Europeias, realizado esta noite na RTP, algo parecido com um "game changer" da campanha. Ninguém foi ao chão. Não houve nem um claro vencedor nem um claro vencido.

A campanha das Europeias prossegue hoje sem que nada de substancial se tenha alterado depois do debate realizado na RTP esta segunda-feira à noite entre os cabeças de lista do PS (Pedro Marques), PSD (Paulo Rangel), João Ferreira (CDU), Marisa Matias (BE) e Nuno Melo (CDS).

Moderado pela diretora de informação da televisão pública, a jornalista Maria Flor Pedroso, o debate, emitido a partir do Teatro Thalia, em Lisboa, durou quase duas horas (entre as 22.00 e as 00.00). Marinho e Pinto não esteve presente porque, embora sendo eurodeputado recandidato, não o é pelo partido pelo qual foi eleito em 2014, o Partido da Terra. É-o sim pelo partido que criou entretanto, o PDR.

Numa campanha onde o contacto direto com as pessoas tem revelado as dificuldades habituais, esta era última oportunidade para todos afirmarem as suas posições e causarem dificuldades aos adversários mais diretos atingindo uma audiência de milhares de pessoas. Na verdade, ninguém conseguiu levar ninguém ao chão por "ko", nem sequer técnico. Ninguém pareceu ter uma carta secreta na manga - ou se a tinha, não a usou.

Ocupando o centro do mapa político, o cabeça de lista do PS acabou por passar o tempo a ser atacado tanto à esquerda como à direita. A acusação mais tonitruante da noite partiu de Nuno Melo (CDS), que acusou o ministro das Finanças Mário Centeno de "crime de lesa Pátria" por alegadamente ter aceite diretivas do comissário socialista francês Moscovici para a criação de um imposto europeu sobre as empresas.

Melo procurou ainda, por mais do que uma vez, afirmar o CDS como a voz exclusiva da direita portuguesa. atirando o PSD para o centro político: "O CDS é a única escolha possível para quem é de direita em Portugal. Não temos medo de ser de direita", afirmou.

Marques envolveu-se ainda em trocas de acusações diretas com Paulo Rangel por causa do próximo quadro comunitário de apoio. Foi acusado pelo cabeça de lista do PSD de ter obtido para Portugal um mau envelope financeiro, inferior em 7% ao último, negociado pelo PSD. O socialista defendeu-se argumentando que a proposta inicial da Comissão para Portugal foi elogiada como um "bom ponto de partida" pelo comissário português em Bruxelas, Carlos Moedas - que é do PSD e mandatário da campanha de Rangel. À esquerda também foi dito que a proposta é má e João Ferreira, da CDU, recordou que o Governo português tem direito de veto no Conselho Europeu quando ela for a votos.

Tal como Rangel, João Ferreira também se envolveu em trocas diretas de palavras com Pedro Marques, mas no caso pelo facto de alegadamente o PS ter votado a favor no PE de uma proposta que supostamente permitirá o desvio de fundos públicos da Segurança Social para fundos privados.

Ao longo do debate, o candidato comunista procurou insistentemente pôr o PS, o PSD e o CDS dentro do mesmo saco, dizendo que nada no essencial os distinguiu nas votações mais importantes. Marisa Matias, pelo seu lado, foi mais poupada em relação ao PS mas a certa altura salientou que "o PS de Lisboa é diferente do PS de Bruxelas". CDU e BE convergiram numa crítica cerrada ao euro mas a candidata bloquista teve a certa altura de ser defensiva, quando, por iniciativa de Nuno Melo, o Bloco foi acusado de já ter defendido a saída de Portugal da moeda única.

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