Deputados dizem-se vítimas de ciberbullying

A questão foi levantada pelo chefe da bancada do CDS-PP, Nuno Magalhães, numa reunião da conferência de líderes parlamentares. Ferro Rodrigues também foi alvo.

A história vem contada na ata da última reunião dos chefes das bancadas, ata distribuída hoje: "O líder do GP [grupo parlamentar] do CDS-PP levantou ainda uma questão relativa a uma espécie de Ciberbullying que os Deputados estão a sofrer, que consiste em inúmeras mensagens que lhes são insistentemente dirigidas, múltiplas vezes e a todas as horas sobre o tema 'descarbonizar o petróleo' [sic]."

Segundo o mesmo documento, "o PAR [presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues] confirmou que também as recebeu e que solicitou aos serviços que encontrassem formas de bloquear este tipo de mensagens ou garantir que deixam de ser rececionadas, sendo automaticamente enviadas para SPAM, como o líder do GP do CDS-PP referiu que tentaram fazer no seu GP, embora sem sucesso".

Explicando em detalhe: durante semanas, muito recentemente, todos os deputados da Assembleia da República receberam no seu correio eletrónico parlamentar centenas de mensagens, todos os dias, de contestação aos projetos de prospeção de petróleo ao largo do Algarve e de defesa do ambiente em geral. Um verdadeiro "bombardeamento" eletrónico, com as mensagens de conteúdo sempre igual mas com origem em múltiplas moradas diferentes de email, notoriamente pseudónimos ou não correspondendo a ninguém existente.

"O correio dos cidadãos é normal e perfeitamente legítimo. Agora o que não é legítimo é esta lógica de bombardeamento."

Nuno Magalhães disse ao DN que o "bombardeamento" ocorria geralmente ao longo da madrugada, entre a 1.00 e as 6.00. Muitas vezes o deputado apagava dezenas de emails destes antes de adormecer e quando acordava já tinha na sua caixa outras tantas dezenas. Como o próprio contou na conferência de líderes, resultaram em vão as tentativas de, por qualquer forma, barrar a chegada destas mensagens às caixas de correio electrónico.

Entretanto, na última semana, o fenómeno acabou. Aparentemente, os autores pararam de enviar os emails. Dito de outra: não parou porque os serviços parlamentares conseguiram barrar a receção das mensagens.

Segundo o líder da bancada do CDS, é normal os deputados receberem mails de cidadãos, nomeadamente quanto estão em cursos processos legislativos controversos - exemplo: a despenalização da eutanásia -, mensagens de sensibilização dos deputados para os prós e/ou contras de cada decisão. "O correio dos cidadãos é normal e perfeitamente legítimo. Agora o que não é legítimo é esta lógica de bombardeamento", acrescentou.

Os deputados têm, cada um, uma conta de correio electrónico com a extensão "parlamento.pt". Dispõem também, cada um, de três computadores: um portátil, outro fixo no gabinete e ainda um terceiro, igualmente fixo, no plenário da AR (ver foto).

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