Belém e PSD: Presidente recebe "quem entender, quando entender"

A audiência concedida por Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro continua a merecer críticas oriundas do PSD.

"O Presidente da República tem a liberdade total para receber quem bem entender, quando bem entender." Fonte próxima de Belém responde assim aos que viram na audiência concedida por Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro "algo inusitado". Uma ingerência na vida do partido.

Recusando a acusação, Belém reafirma: "A única coisa que o Presidente tem dito, de forma consistente e repetida, é que uma oposição forte é muito bom para a democracia."

Em vésperas do Conselho Nacional que votaria a moção de confiança ao líder Rui Rio e confirmaria a sua liderança, o encontro do Presidente da República com Luís Montenegro, a pedido deste, mereceu surpresa aos dirigentes sociais-democratas. "Surpresa e estupefação", diz ao DN um deles. "Ao receber Montenegro em Belém, Marcelo Rebelo de Sousa conferiu-lhe perante o país e perante os militantes um estatuto que anteriormente este não tinha." Mais. "Trata-se de algo no mínimo surpreendente tanto mais", conclui, "que quebrou uma regra".

Posição secundada por Miguel Relvas. "Dantes a romaria era a Fátima, agora vai-se a Belém." O facto, sui generis, leva o ex-ministro adjunto de Passos Coelho a fazer o desafio: "Veremos se a partir de agora o Presidente da República vai receber os candidatos à liderança dos vários partidos."

Questionada sobre o "estatuto" que Marcelo Rebelo de Sousa poderá ter emprestado a Montenegro, Belém lembra a "recente audiência concedida ao candidato ao Parlamento Europeu pelo partido dos reformados". Foi a 7 de janeiro que Marcelo recebeu o líder do Partido Unido dos Reformados e Pensionistas, Fernando Loureiro e a comparação faz sorrir vários sociais-democratas.

José Eduardo Martins, ex-líder da bancada do PSD na liderança de Manuela Ferreira Leite, não acompanha quem entende que a audiência serviu de unção ou sequer conferiu prestígio a Montenegro: "Só se for o mesmo prestígio que conferiu a Cristina Ferreira." Ou, outro exemplo, "ao camionista dos coletes amarelos com quem se encontrou há uns dias".

Pedro Adão Silva remete para as características de Marcelo Rebelo de Sousa. "Com outro presidente poderia ser diferente mas este gosta de estar informado e que gosta de ser protagonista de tudo o que acontece". Desde "o descarrilamento do carro elétrico ao descarrilamento do PSD", concluiu o politólogo.

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