Premium Agitada e sensacional entrevista com Adolfo Hitler, chefe dos nacionais-socialistas

O DN republica a entrevista de António Ferro a Hitler, de 1930, quando o nazi não tinha ainda chegado ao poder. Para reler, hoje que faz 73 anos que a Segunda Guerra Mundial terminou.

Chego a Munique, cidade-marioneta, coração musical da Baviera, às nove e meia da manhã. Que pretendo? Porque deixei Berlim e o seu jogo de luzes? (...) Para ver Hitler, para falar a Hitler, para conhecer o herói do romance, o John Gilbert da política alemã. Difícil, muito difícil, eu sei, Hitler é uma espécie de Dr. Asuero: desaparece, foge, torneja, passa como um relâmpago, está aqui, está ali, está acolá... Desconfia muito dos jornalistas, dos jornalistas latinos sobretudo, e manda-os pôr à distância pela sua escolta, pelos empregados da sua "Camisaria Castanha". Não importa! Tentarei o raid. Se for vencido, perdoem-me... Farei tudo, tudo por vos mostrar num relâmpago, em dois minutos, a cabeça do homem, a cabeça de Hitler.

Cai neve, uma neve suspeita, artificial, de teatro moderno. Atiro as malas para um táxi e sigo para o hotel, para o Regina Palace. Na carteira, como única seta a apontar-me o caminho para Hitler, um nome difícil, um nome acrobata, de forças combinadas, como todos os nomes alemães: Ernest Hanfstaengl. É o chefe do protocolo de Hitler, o introdutor diplomático dos raros jornalistas que tentam a aventura de Munique, que não receiam as investidas guerreiras do homem da révanche.

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