Iniciativa Liberal. "Não contem connosco para andar a decorar coligações"

O partido de João Cotrim Figueiredo prefere correr em pista própria nas autárquicas do próximo ano e não será a todos os municípios. Coligações com o PSD e CDS só se forem pontuais.

O repto foi lançado pelo novo líder da JSD, o de um entendimento um acordo de centro-direita entre PSD, CDS e Iniciativa Liberal para as eleições autárquicas. O líder centrista lembrou que foi o primeiro a propor uma frente de direita para combater a esquerda. Mas o IL chutou para canto e o seu presidente , João Cotrim Figueiredo, que as situações têm de ser vistas concelho a concelho. "Não contam connosco para andar a decorar coligações", acentua fonte do partido.

João Cotrim Figueiredo reconheceu o "espírito construtivo" do desafio, mas questionou modo como foi feito, por carta aberta publicada no jornal i: "Se fosse para ser sério, teria sido feito em privado".

"No âmbito autárquico as decisões só podem ser tomadas com situações concretas, concelho a concelho, pelo que este desafio deve ser visto numa lógica de posicionamento interno no próprio PSD. E quando se procura uma alternativa não socialista, a questão não se coloca apenas no âmbito autárquico, mas sobretudo a nível nacional, pelo que não faz muito sentido o PSD viabilizar propostas e ações do governo às segundas e quartas e depois pedir coligações no espaço não socialista à sexta-feira", afirmou o deputado liberal.

"No âmbito autárquico as decisões só podem ser tomadas com situações concretas, concelho a concelho, pelo que este desafio deve ser visto numa lógica de posicionamento interno no próprio PSD"

Para o Iniciativa Liberal, frisou ainda, "não se trata de obter o poder pelo poder, mas de primeiro ganhar a luta pelas ideias liberais, contra as ideias socialistas para que fique claro o uso que faremos do poder quando os portugueses nos mandatarem para o exercer".

Fonte do IL lembra ao DN que, tal como está inscrito na moção aprovada na convenção, o partido irá a "jogo" com listas próprias onde tiver equipas estruturadas. Ou seja, não se propõe a concorrer às 308 câmaras que estarão em disputa nas eleições de outubro do próximo ano.

"Queremos um trabalho sereno de crescimento sustentável. Não vamos a correr concorrer no país inteiro", afirma a mesma fonte, mas admite que possam existir coligações pontuais com o PSD e CDS. "Sempre numa lógica de baixo para cima", o que quer dizer "se nas estruturas que existem fizerem sentido e não impostas".

Além disso, adverte, "não contem com a marca da IL para andar a decorar coligações pelo país inteiro".

"Queremos um trabalho sereno de crescimento sustentável. Não vamos a correr concorrer no país inteiro"

O IL tem neste momento 30 núcleos já estruturados e são eles: Açores, Almada, Amadora, Aveiro, Braga,Cascais, Coimbra, Évora, Faro, Felgueiras, Gondomar, Guimarães, Leiria, Lisboa, Loures, Madeira, Mafra, Maia, Matosinhos,Odivelas, Oeiras, Porto, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, Santarém,Seixal, Setúbal, Sintra,Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, e Viseu. E em formalização para dentro em breve, Viana do Castelo, Montijo, Guarda e Vila Real. É nestes municípios que o partido deverá avançar com listas próprias.

"CDS não anda a reboque"

O novo líder da JSD, Alexandre Poço, veio nesta quarta-feira, numa carta aberta publicada no jornal i, apelar a um acordo de centro-direita para as autárquicas, que inclua CDS e Iniciativa Liberal, liderado por João Cotrim Figueiredo, mas deixe de fora o Chega.

"Acredito que o centro-direita moderado e civilizado pode e deve agir, enquanto é tempo", escreve. "Apenas agindo podemos evitar um caminho sem retorno, uma espiral de crescente intensidade, uma estrada que extrema a sociedade de tal forma, em que a razão, os factos e a verdade deixam de ter lugar à mesa.".

A um ano das eleições autárquicas, "as primeiras - e por isso, as mais fundamentais - em que vamos a jogo num clima extremado, populista e perigoso", frisa Alexandre Poço. E sem mencionar o Chega, é ao partido de André Ventura que aponta.

Já o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, rejeitou ir a "reboque" da JSD. Até porque, lembrou foi o primeiro dirigente a "sugerir uma frente de direita para vencer a esquerda" nas autárquicas de 2021 e disse que o processo já decorre a nível institucional, com o PSD.

"Apelei a que estes dois partidos [CDS-PP e PSD], atendendo ao histórico de parcerias e sendo eles o nosso aliado preferencial, pudessem desenvolver estratégias para unidos derrubar a esquerda nas maiores câmaras do país e, sobretudo, em todas aquelas que a esquerda governa", referiu aos jornalistas. Francisco Rodrigues dos Santos adiantou que o estabelecimento de acordos autárquicos está a "ser tratado do ponto de vista institucional por ambas as direções dos partidos".

O líder centrista mostrou-se esperançado de que os dois partidos vão chegar à conclusão que é "necessário um acordo para estabelecer sinergias e convergências com o PSD, com vista a derrotar a esquerda na maioria dos municípios de Portugal".

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