Greta Thunberg sem agenda para vir a Portugal. Talvez em 2020

Assembleia da República convidou a ativista sueca em maio, mas não foi possível encontrar uma data. Convite ficou em aberto para o próximo ano.

Greta Thunberg, a jovem ativista que se transformou no principal rosto da luta contra as alterações climáticas, não virá discursar ao parlamento português, pelo menos este ano. Em maio, na sequência de uma deliberação da comissão parlamentar de Ambiente, a Assembleia da República (AR) dirigiu um convite à jovem sueca. Mas, segundo a secretaria-geral da AR, "não foi possível fixar-se uma data que satisfizesse ambas as partes".

O convite foi feito a 17 de maio, tendo seguido "quer através da embaixada sueca, quer através da assessoria de imprensa da família Thunberg, com a sugestão de várias datas alternativas até ao final do mês de julho". A resposta chegou no final do mesmo mês através da assessoria da jovem ativista, "agradecendo o convite e manifestando interesse". "Os contactos mantiveram-se", refere a secretaria-geral da AR, mas não foi possível acertar uma data.

Finalmente, na primeira semana de julho, a assessoria dos Thunberg informou o Parlamento da "impossibilidade de a deslocação a Portugal se concretizar este ano", mas sublinhando o "interesse na vinda ao Parlamento português e pedindo que se mantivesse o convite para a realização da visita, previsivelmente em 2020".

Greta Thunberg está nos Estados Unidos, onde participou na Cimeira da Ação Climática promovida pelas Nações Unidas, convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterres, e que teve lugar em setembro. Depois seguirá para o Canadá, num périplo que incluirá também (pelo menos) o México e o Chile. A 12 e 13 de dezembro, a jovem estará em Santiago do Chile para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.

Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda que presidiu à comissão parlamentar de Ambiente na legislatura que agora termina e que propôs o convite a Thunberg - que seria depois aprovado por unanimidade na comissão - diz ao DN que ainda sugeriu que a ativista fizesse uma escala em Portugal durante a viagem de veleiro que a levou aos Estados Unidos, mas que esta solução também não se revelou possível.

"O meu nome é Greta Thunberg e quero que entrem em pânico"

Greta Thunberg ganhou notoriedade quando, na sua Estocolmo natal, começou a faltar às aulas e a sentar-se todas as sextas-feiras em frente ao parlamento sueco, pedindo mais ação dos responsáveis políticos para travar o aquecimento do clima. O que começou como uma iniciativa individual foi ganhando adeptos, acabando por transformar-se numa greve estudantil de alcance global e catapultando a jovem ativista sueca para os grandes palcos de decisão política. Greta já esteve no parlamento francês, no parlamento britânico e no Parlamento Europeu, sempre com uma voz muito crítica dos decisores mundiais. No final do ano passado esteve na Cimeira do Clima das Nações Unidas, na Polónia, em janeiro deste ano no Fórum Económico Mundial em Davos e, em setembro, novamente na cimeira da ONU, em Nova Iorque.

"O meu nome é Greta Thunberg, tenho 16 anos, venho da Suécia e quero que entrem em pânico" foi o arraque do discurso que proferiu no Parlamento Europeu esta jovem, nomeada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, e que era um dos nomes apontados para o Prémio Nobel da Paz deste ano. "Quero que ajam como se a vossa casa estivesse em chamas. Se a vossa casa estivesse em chamas não estariam a voar à volta do mundo em executiva", disse a ativista (que não viaja de avião devido às emissões poluentes da aviação), em abril deste ano.

De verbo forte, Greta provocou polémica em França, onde conservadores e extrema-direita tentaram impedi-la de falar na Assembleia Nacional em julho, chamando-lhe uma "profetisa do apocalipse". "Não são obrigados a ouvir-nos, afinal somos crianças. Mas devem ouvir a ciência", diria depois Greta no seu discurso.

A passagem por Nova Iorque ficou marcada por uma intervenção emotiva e de palavras duras: "Como é que se atreveram? Vocês roubaram-me os sonhos e a infância com as vossas palavras vazias".

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