Guerra Colonial: ministro condecora primeiras enfermeiras paraquedistas

Duas das enfermeiras paraquedistas recebem a medalha da Defesa Nacional de 1ª classe a título póstumo.

As primeiras seis das 46 enfermeiras paraquedistas que participaram na guerra colonial foram condecoradas com a medalha da Defesa Nacional de 1ª classe pelo ministro João Gomes Cravinho, segundo uma portaria publicada esta quinta-feira.

"As enfermeiras paraquedistas foram verdadeiras pioneiras, cumprindo o lema das Tropas Paraquedistas "Que nunca por vencidos se conheçam", antes das mulheres terem sido incluídas nas fileiras das Forças Armadas. A forma voluntariosa como quebraram barreiras, e a entrega física e psicológica que demonstraram na frente de combate, cumprindo a sua missão de igual para igual, não poderão ser esquecidas e devem constituir-se num exemplo para as Forças Armadas e a sociedade civil", diz o texto publicado em Diário da República.

Duas das enfermeiras. que ficaram conhecidas como as "Seis Marias", foram condecoradas a título póstumo: Maria Zulmira Pereira André e Maria Nazaré Morais Rosa de Mascarenhas e Andrade.

As outras quatro foram Maria Arminda Lopes Pereira Santos, Maria do Céu da Cruz Policarpo Vidigal, Maria Ivone Quintino dos Reis e Maria de Lourdes Rodrigues.

"Reconhecer o seu mérito é de inteira justiça", diz ao DN o tenente-coronel paraquedista Miguel Machado, diretor do site especializado Operacional, adiantando que essas enfermeiras "completavam o trabalho dos enfermeiros paraquedistas que estavam na linha da frente".

Eram eles quem combatia e prestava os primeiros socorros nos teatros de operações em Angola, Moçambique e Guiné, onde as enfermeiras paraquedistas os iam depois buscar e transportar para os hospitais de retaguarda. "Levantavam bastante o moral" das tropas, garante aquele oficial paraquedista na reforma.

Miguel Machado lembra que os enfermeiros eram militares a quem se dava um curso de enfermagem, enquanto elas já eram enfermeiras de origem - e a confiança que inspiravam nos feridos era tanta que se criou quase uma lenda no campo de batalha: acreditava-se que quem chegasse vivo ao helicóptero "tinha uma grande probabilidade de sobreviver", recorda o responsável do Operacional.

Além dos teatros de guerra africanos, algumas das primeiras enfermeiras paraquedistas participaram logo em dezembro de 1961 - e em maio de 1962 - na evacuação de civis e prisioneiros militares portugueses de Goa para Portugal.

A sua última missão no exterior realizou-se em 1976 e consistiu na evacuação de civis de Timor para Lisboa - via Honolulu e Bali - num Boeing da Força Aérea, acrescenta Miguel Machado.

As enfermeiras paraquedistas - força que até 1993 pertencia à Força Aérea - já tinham sido condecoradas em 2015 pelo então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro.

A medalha da Defesa Nacional foi criada em 2002, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, quando o EMGFA e os três ramos das Forças Armadas já tinham condecorações próprias: medalha da Cruz de São Jorge (Estado-Maior-General), medalha da Cruz Naval (Marinha), medalha de D. Afonso Henriques (Exército) e medalha de Mérito Aeronáutico (Força Aérea).

A conderação das seis enfermeiras paraquedistas foi assinada a 08 de março, Dia da Mulher, sendo conhecida durante uma cerimónia realizada nesse mesmo dia no Museu de Marinha e para assinalar a presença das mulheres nas Forças Armadas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG