Freitas cita "My Way" e Marcelo agradece-lhe pelo contributo para a democracia

Diogo Freitas do Amaral sintetizou o seu percurso na vida política através da canção popularizada por Frank SInatra.

O Presidente da República garantiu esta quinta-feira que os portugueses compreendem, recordam e valorizam "o caráter singular e quase único" do papel de Diogo Freitas do Amaral para o nascimento e afirmação da democracia portuguesa.

Freitas do Amaral, fundador do CDS, é "um dos quatro pais" da democracia portuguesa a par de Mário Soares (PS), Sá Carneiro (PSD) e Álvaro Cunhal, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimónia de lançamento do terceiro livro de memórias daquele professor catedrático e antigo governante - o qual terminou a sua intervenção a citar alguns versos do tema My Way (À Minha Maneira), popularizado por Frank Sinatra.

A obra, "Mais 35 anos de democracia, um percurso singular", abrange o período de 1982 a 2017 e na cerimónia realizada no Centro Cultural de Belém participaram algumas dezenas de figuras dos meios politico e académico, entre os quais Jorge Miranda, Rui Machete, Ângelo Correia, Celeste Cardona, José Ribeiro e Castro, Daniel Proença de Carvalho, Helena e Pedro Roseta.

"Ninguém é profeta na sua área política e isso acontece muitas vezes", observou Marcelo, dirigindo-se a Freitas do Amaral e lembrando que apesar das posições que "foi levado a tomar" na sua vida política - que agradaram a uns e desagradaram a outros -, o seu "papel essencial" no processo democrático permanece.

Freitas "foi um dos pais dessa realidade democrática" instaurada após o 25 de Abril, insistiu o Presidente, evocando uma antiga divergência com o fundador do CDS sobre a gratidão que Portugal e os portugueses têm - ou não, segundo Freitas - para com as suas principais figuras.

Após a apresentação do livro de 400 páginas, feita pela professora Teresa Pizarro Beleza, Diogo Freitas do Amaral evocou a importância dos princípios da democracia cristã - como a preocupação com os outros, a caridade, a solidariedade e a justiça social - para dizer: "Não precisei de ler Marx [...] para sentir o dever de solidariedade com os mais pobres."

"Escrevi para deixar testemunho, tão objetivo quanto possível", dos acontecimentos políticos a que assistiu ou em que participou, "com a intenção da imparcialidade possível" e sem intenção de "ajustar contas ou pedir desculpas", explicou Freitas do Amaral.

Segundo Marcelo, a "preocupação constante" de Freitas do Amaral "com o centro" político e com "o equilíbrio no sistema jurídico e político" do país no pós 25 de Abril "foi essencial para haver democracia em Portugal". Por isso, insistiu o Presidente, "temos de passar o testemunho aos vindouros que uma parte da democracia se deve" a Diogo Freitas do Amaral.

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