Ferro Rodrigues repreende André Ventura em pleno debate no Parlamento

"É vergonhoso" e "este Governo é uma vergonha", as expressões que o presidente da Assembleia da República não quis deixar passar sem reparo. Deputado do Chega diz que "é gravíssimo" e vai pedir audiência com presidente da República.

O debate que discutia os projetos de lei e de resolução para a remoção de amianto em edifícios, equipamentos e instalações, durante a tarde desta quinta-feira no Parlamento, levou a uma acesa troca de palavras entre Ferro Rodrigues e André Ventura. O deputado do Chega chamou de "vergonhoso" o projeto apresentado pelo Governo e sublinhou que o próprio Executivo é "uma vergonha". O presidente da Assembleia da República não gostou e repreendeu o deputado.

"Não precisamos de mais leis. O Governo tem feito muito pouco em relação a esta matéria", começou por dizer André Ventura, que partiu depois para o ataque criticando a linha de crédito de 800 milhões de euros criado pelo Governo. "Este projeto de linha de crédito só tem uma palavra: vergonha", disse o deputado do Chega.

"O senhor deputado usa a palavra vergonha e vergonhoso com demasiada facilidade o que ofende todo o Parlamento e ofende-o a si também ", disse Ferro Rodrigues que se preparava para passar a palavra a Joacine Katar Moreira, deputada do Livre.

Durante a intervenção do presidente da Assembleia da República, ouviram-se vários aplausos vindos das bancadas.

André Ventura tentou ripostar, dizendo que queria falar "em defesa da honra", invocando ainda "a liberdade de expressão", mas Ferro Rodrigues não deixou o deputado do Chega concluir, dizendo que "não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade dos outros, que é aquilo que o senhor faz demasiadas vezes. Não tem a palavra", e passou mesmo a palavra a Joacine Katar Moreira.

Ventura vai queixar-se a Marcelo

O deputado único do Chega reagiu, entretanto, na sua página de Facebook e anunciou que irá pedir uma audiência ao Presidente da República. "Hoje o Presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado português, decidiu , primeiro, repreender-me, e depois calar-me, nem sequer me permitindo o exercício da defesa da honra. Não gostou dos meus ataques ao Governo do PS nem da utilização da palavra 'vergonha'", comentou na rede social o líder do partido.

"O que se passou hoje é gravíssimo e tem de ter consequências. Vamos pedir imediatamente ao Sr. Presidente da República uma audiência com caráter de urgência sobre a forma como está a ser silenciada a oposição. Está em causa o regular funcionamento das instituições!", escreveu André Ventura.

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