Ferro Rodrigues reeleito para presidência da Assembleia promete mobilização contra "ameaça climática"

O candidato do PS obteve 178 votos a favor, 44 foram contra e oito nulos. Conseguiu mais votos do que na anterior eleição há quatro anos. Num discurso emocionado, Ferro Rodrigues sublinhou que ninguém se deve por fora de uma cultura de diálogo.

Num discurso emocionado, após o anúncio dos resultados, Eduardo Ferro Rodrigues disse querer "continuar a ser o presidente de todas e todos os deputados". Lembrando que é o terceiro presidente a ser reconduzido nestas funções, o parlamentar socialista prometeu seguir o exemplo dos seus antecessores que também estiveram duas legislaturas no cargo - os também socialistas António Almeida Santos e Jaime Gama.

"Nesta casa da democracia representamos todos os cidadãos portugueses", lembrou Ferro Rodrigues, antes de sublinhar que nas eleições de 6 de outubro os portugueses "valorizaram a centralidade que o Parlamento adquiriu na passada legislatura" e "não quiseram dar maioria absoluta" a nenhum partido "porque perceberam que não são a única via para a estabilidade política".

Sublinhando que ninguém se deve por fora de uma cultura de diálogo, o presidente da Assembleia da República referiu que "em democracia é tão importante estar no governo como na oposição" e pediu uma "atitude de responsabilidade", que é "exigida pela própria conjuntura internacional".

A terminar, Ferro Rodrigues fez questão de se referir à questão climática, salientando "o consenso na sociedade portuguesa em torno da urgência" deste problema, sobre o qual a Assembleia da República também terá uma palavra a dizer - "no plano legislativo, naturalmente, mas também na mobilização da sociedade portuguesa". "Este é, sem dúvida, o grande desafio do nosso tempo", sublinhou Ferro, antes de anunciar que ele próprio levará à conferência de líderes um "programa de iniciativas para toda a legislatura" sobre esta matéria.

Depois, foi a vez de falarem os grupos parlamentares (mas não os deputados únicos, que não usaram da palavra). Ana Catarina Mendes fez a primeira intervenção como líder da bancada do PS, saudando a reeleição de Ferro Rodrigues com uma "expressiva votação". A presidente do grupo parlamentar socialista deixou então um alerta, referindo que é preciso defender a democracia: "O parlamento é a casa mãe da democracia e tem vindo a ganhar importância nos últimos anos. Todos os que aqui se sentam têm um mandato popular para honrar, mesmo os que assumidamente dão pouco valor à função de deputado ou os que aqui venham com a intenção expressa de a desvalorizar. Cabe-nos a todos nós, todos os dias, defender a democracia". Ana Catarina Mendes não nomeou os destinatários do aviso, mas a mensagem terá dois alvos - André Ventura, do Chega; e Rui Rio, que na campanha eleitoral disse não ter "particular entusiasmo em ser deputado".

Pelo PSD, foi Fernando Negrão a usar da palavra, referindo que hoje "é dia de festa da democracia" e deixando também um aviso: "Todos os dias corremos o risco de perder a democracia. E por isso é nossa obrigação todos os dias lutar por mais liberdade e por mais democracia".

João Oliveira, do PCP, também insistiu nesta questão e disse esperar que o Parlamento "dê expressão concreta à defesa do regime democrático, à defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, à defesa dos direitos do povo português, direitos e valores conquistados com a revolução e Abril e consagrados na nossa Constituição".

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