Estado vai pagar mais três vacinas, famílias poupam pelo menos 600 euros

Meningite B, rotavírus e HPV (vírus do papiloma humano), agora para rapazes - para raparigas já está incluída - vão passar a fazer parte do Plano Nacional de Vacinação a partir do ano que vem, por proposta do PCP.

A proposta foi do PCP e passou com o voto contra do PS e a abstenção do CDS: o Plano Nacional de Vacinação vai passar a incluir as imunizações contra o rotavírus, a meningite B e o vírus do papiloma humano (HPV) - neste caso para rapazes, já que no caso das meninas já fazia parte do Plano Nacional de Vacinação desde 2008.

Foi também aprovada, esta por unanimidade, a proposta dos Verdes para que em todas as unidades do SNS seja ministrado "o medicamento que se destina a tratar a atrofia muscular espinal, aos doentes com tipo I e com tipo II".

Na nota justificativa, os ecologistas consideraram que "cada dia que passa, sem a possibilidade de acesso ao medicamento, é mais um dia onde [sic] a situação destes doentes se agrava a olhos vistos". Portanto, "o governo deve garantir disponibilidade financeira para que esse tratamento seja assegurado, nos casos de avaliação médica nesse sentido".

A poupança das famílias nas imunizações contra HPV, rotavírus e meningite B, fortemente recomendadas pelos pediatras, nunca será de menos de 602, 45 euros.

A vacina contra o rotavírus, que causa a gastroenterite aguda, tem um preço médio para a totalidade das doses de cerca de 150 euros; a imunização contra a meningite B custa cerca de 95 euros por dose e o número de doses, nunca menos de duas, depende da idade -- dos dois os cinco meses, são três doses, mais uma de reforço entre os 12 e 23 meses. Contra o HPV há duas vacinas no mercado, que custam entre 72,45 e 145,33 euros. Assim, a poupança das famílias nestas imunizações, fortemente recomendadas pelos pediatras, nunca será menos de 602,45 euros.

A meningite tipo B é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e sendo uma doença muito rara -- há entre 40 e 50 casos anulamente em Portugal -- mas extremamente grave: a taxa de mortalidade pode chegar aos 10%. A vacina contra esta doença só foi aprovada no mercado europeu em 2014.

A gastroenterite aguda, que pode ser causada por vírus ou bactérias, é muito comum nos primeiros anos de vida e responsável por muitos internamentos, apesar de ter uma baixa taxa de complicações. O rotavírus é o responsável mais frequente.

Quanto ao HPV, é o segundo agente produtor de cancro, logo a seguir ao tabaco, responsável por cancros localizados na cabeça e pescoço, colo do útero, pénis, vagina e ânus, entre outros, assim como por lesões benignas como os condilomas ("verrugas"), na pele e na região genital.

Hoje o plenário reunirá de manhã para votar artigos já aprovados na especialidade que os partidos desejem avocar. À tarde reunirá a comissão parlamentar para mais votações na especialidade. Para amanhã está marcada a votação final e global do OE 2019.

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