Esmagador. Mais de 90% dos deputados chumbam lei contra a caça

PAN, BE e PEV queriam ver proibida a caça à raposa. PS, PSD, CDS e PCP votaram contra. Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC) congratula-se com votação massiva contra projeto "desonesto e baseado em falsidades".

Foi uma votação massiva contra um projeto "desonesto, mal intencionado e baseado em falsidades", acusavam a ANPC e a Plataforma Sociedade e Animais, ainda no início desta semana. PAN, PEV e BE pretendiam ver proibida a caça à raposa e ao saca-rabos que afirmavam, na fundamentação do projeto, ser uma prática de extrema violência.

"Lei permite morte da raposa até à paulada", vincavam os partidos proponentes. "É mais uma mentira", afirmaram as plataformas -- com efeito, na "caça a pau" (e não à paulada), cajados são utilizados para abanar o mato de forma a espantar os animais, não para matá-los.

Defendiam PAN/PEV/BE ser a caça à raposa um "ato de pura violência", regulamentado por lei mas "chocante, deseducativo e desnecessário". E que práticas como "matar raposas à paulada e com matilhas de cães" são práticas que "não contribuem" para preservar ecossistemas, "não são indicadas" para controlar a população destas espécies ou para preservar as restantes (presas da raposa). Além de "não terem interesse gastronómico nem serem, comprovadamente, perigo para a segurança, saúde pública ou ecossistemas".

Nenhum destes argumentos foram colhidos pelos restantes deputados do Parlamento, que chumbaram esta tarde o projeto com votos contra de todos os partidos que não assinavam o projeto. Um total que superou os 90% de votos contra.

"É uma vitória da coesão social. Não vingou a imposição de radicalismos, não vingou a cassete do PAN, BE e PEV, propalando falsidades e visões deturpadas e fantasiosas da realidade", reagiu António Paula Soares, presidente da ANPC e da Plataforma Sociedade e Animais. "Tais propostas feitas por quem desconhece e se recusa a conhecer a realidade dos intervenientes do mundo rural, não podiam de maneira alguma ser levadas avante", conclui o responsável, destacando a responsabilidade demonstrada pelos deputados do PS, PSD, CDS e PCP, para chumbar de forma claríssima propostas que teriam "consequências desastrosas". "Imperou o sentido de responsabilidade contra a demagogia, o embuste, a ignorância, a irresponsabilidade e o radicalismo animalista", diz.

Um resultado em que muito contou a ação da Plataforma Sociedade e Animais nos últimos meses, que "desenvolveu um trabalho notável, árduo e eficaz" na defesa dos proprietários rurais, produtores agropecuários, caçadores, gestores cinegéticos e todos os intervenientes do meio rural, perante mais um vil ataque dos partidos radicais", defendeu António Paula Soares. "Foi gratificante perceber que os interesses do mundo rural foram ouvidos e a sua importância reconhecida".

Lamentando que "os partidos radicais só se lembrem das realidades do interior e do Portugal rural quando são fustigadas pela tragédia dos incêndios", a ANPC fez ainda questão de nomear os deputados responsáveis por esta vitória: "Patrícia Fonseca (CDS), Nuno Serra (PSD), Pedro do Carmo (PS) e João Dias (PCP) fizeram intervenções fundamentais durante a discussão dos projetos de lei e que se revelaram essenciais no resultado que hoje se concretizou".

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