Nuno Artur Silva: criador do 'Contra-Informação' chega a secretário de Estado

Depois de uma passagem pela administração da RTP, Nuno Artur Silva, o criador das Produções Fictícias, a maior fábrica de humor em Portugal, chega ao governo.

Nuno Artur Silva é porventura a maior surpresa do elenco dos 50 secretários de Estado hoje divulgado. Será secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, na dependência da ministra da Cultura, Graça Fonseca. O que o título indica é que ficará com a tutela da RTP, empresa de que foi administrador de 2015 a 2018.

Cronista do DN há mais de um ano e coordenador do suplemento 1864 (que sai ao sábado), Nuno Artur Neves Melo da Silva nasceu em Lisboa há 57 anos (em 5 de outubro de 1962). É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1985). Criou, em 1993, as Produções Fictícias, de onde saiu, por exemplo, a sátira política dos bonecos do Contra-Informação.

Antes de criar as Produções Fictícias, foi professor de Português no ensino secundário (1985-1992). Nas notas biográficas divulgadas pelo gabinete do primeiro-ministro lê-se que é autor de vários livros, sobretudo de banda desenhada e poesia, além de autor e produtor de peças de teatro e eventos culturais e autor, produtor e apresentador de inúmeras séries e programas de rádio e televisão, em diferentes canais portugueses.

Fundou e foi publisher do suplemento satírico O Inimigo Público do jornal Público, e em 2010 fundou e dirigiu o Canal Q, um canal de humor no cabo. De 1996 a 1997 foi assessor criativo da direção de programas da RTP e de 2015 a 2018 administrador da empresa, com o pelouro dos Conteúdos (2015-2018).

Na sua passagem pela administração da RTP, Nuno Artur Silva reformulou o Festival da Canção, chamando os compositores e músicos portugueses para um novo formato do que sairia vencedor Salvador Sobral e a canção Amar pelos Dois, ​​​​​​​de Luísa Sobral, que acabaria por ganhar o Festival da Eurovisão, em Kiev, em 2017, pela primeira vez em 54 anos de participação. Lisboa organizou a competição em 2018. Deixou a administração da televisão pública no início de 2018, antes da realização deste evento.

Na RTP, enfrentou queixas da Comissão de Trabalhadores de que estava ligado a empresas concorrentes da RTP (Produções Fictícias e Canal Q).

Foi comissário dos eventos O Gosto dos Outros e O Fascínio das Histórias para a Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2019, foi também comissário da programação da Feira do Livro do Porto.

António Costa justifica Secretaria de Estado "especificamente" para esta área

Questionado sobre a criação de uma Secretaria de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, à saída da audiência com o Presidente da República, António Costa disse que ao longo da legislatura que em breve terminará verificou-se "a necessidade de um reforço de uma Secretaria de Estado que pudesse ocupar-se especificamente dessa área".

"É um fator relevante, sobretudo tendo em conta a enorme transformação tecnológica associada à criação de novas plataformas e à existência de novas condições de concorrência no mercado. Há uma forte tensão entre os meios de comunicação tradicionais. Já não é só a imprensa escrita, mas também as televisões, tal como antes as concebíamos", justificou, citado pela Lusa.

Para António Costa, é importante fazer uma reflexão sobre as ações a tomar para garantir a existência de um setor de cinema, audiovisual e media em geral "dinâmico, vivo e forte, características essências para a sua independência".

"A independência deste setor é fundamental para a liberdade e para o pluralismo político, social e económico, mas também cultural", disse.

Perante os jornalistas, António Costa referiu-se também à opção que tomou quando formou o governo cessante, em novembro de 2015, no sentido de transferir para o Ministério da Cultura as competências relativas à comunicação social.

"A comunicação social tem um papel fundamental relativamente a dois eixos da política cultural: a língua, que é um dos dois nossos grandes patrimónios e que tem de ser muito valorizada; e a interceção cada vez maior entre a atividade dos media e a criação cultural", acrescentou.

Exclusivos