Costa: "Pessoa infetada não pode significar escola encerrada"

O líder do PS fez o seu discurso de rentrée numa conferência do PS em Coimbra, dedicado sobretudo a explicar os planos que o Governo tem para "recuperar Portugal", tema da conferência.

O teste "mais importante" para o Governo no curto prazo é o regresso das aulas presenciais, disse esta manhã António Costa.

Falando na conferência do PS Recuperar Portugal, em Coimbra - que constitui a rentrée dos socialistas -, o líder socialista disse que "não podemos ter o nível" de ensino à distancia que houve no ano letivo passado, pelo que todos os agrupamentos escolares terão de preparar planos de contingência para o caso de surtos nas escolas.

"Temos de evitar que uma pessoa contaminada signifique toda a escola encerrada", afirmou Costa, salientando no entanto que "o ensino à distancia pela TV vai prosseguir", para as situações em que não houver outro remédio senão mandar alunos para casa.

"Apelo a que descarreguem [a aplicação StayAway Covid] nos vossos telemóveis. É um dever cívico de todos nós e serei o primeiro a dar o exemplo."

No tópico do discurso sobre "controlar a pandemia", o chefe do PS salientou que "não podemos baixar a guarda", porque "a pandemia não acabará enquanto não tivermos um tratamento e uma vacina", e ninguém sabe quando isso será". Sendo certo, além do mais, que com o regresso de muitos portugueses de férias e o recomeço do ano letivo, "o risco de contágio vai aumentar".

Num piscar de olho ao PCP, legitimou a Festa do Avante!, dizendo que "nada tem de parar as atividades dos partidos, desde que cumpram normas segurança". E logo a seguir apelou aos portugueses para que utilizem a aplicação StayAway Covid.

"Apelo a que descarreguem nos vossos telemóveis. É um dever cívico de todos nós e serei o primeiro a dar o exemplo", afirmou.

No discurso, Costa centrou-se sobretudo em explicar as prioridades do Governo e do PS para a recuperação de Portugal, com um power point projetado ao mesmo tempo em ecrãs gigantes.

Anunciou, por exemplo, que o chamado Plano Costa e Silva - Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030 - terá uma versão final já em 15 de setembro, querendo o Executivo discuti-lo no Parlamento e reunir-se em seu torno "um grande consenso nacional". No dia 21 de setembro, haverá consultas com todos os partidos e o Governo quer ainda discutir o plano com os parceiros sociais.

"O consenso é fundamental, porque o que temos pela frente não é uma corrida de cem metros. O covid não desapareceu no fim do confinamento, o covid está aí e é uma maratona do ponto de vista sanitário. Mas também é uma maratona do ponto de vista económico e social. Não podemos dizer que estamos a enfrentar a maior crise económica e social de sempre e esperar que o covid passe para a crise passar: não vai passar, vai deixar marcas", disse, explicando que as perspetivas mais otimistas da UE dizem que só em 2022 os países voltarão a estar como estavam antes da pandemia. "São três anos perdidos, na melhor das hipóteses", diz.

Trata-se, por isso, de uma "batalha de fundo, de largo fôlego" e, por isso, trata-se de uma batalha que exige "consensos".

Referindo implicitamente a sua aposta numa geringonça 2, Costa disse que está "a trabalhar para criar condições políticas para que no horizonte da legislatura haja a estabilidade necessária".

E, acrescentou, "estes programas [de recuperação económica] não são do Governo, alguns transcendem a legislatura, alguns transcendem até a próxima legislatura [2023-2027]".

Ou seja: "Estes são programas para Portugal, todos têm de estar envolvidos e é com todos que contamos."

Do que se trata, afinal, é de "cuidar do futuro, porque a resposta à crise não pode ser de curto prazo" e, portanto, "construir um país com mais e melhor futuro e que resista melhor às crises e que acelere a sua transição climática e a sua transição digital".

Falando do dinheiro que virá da UE, Costa sublinhou que esses "recursos serão uma oportunidade histórica e uma enorme responsabilidade".

Porque "nenhum português nos perdoaria se não utilizássemos estes fundos da melhor maneira possível", o chefe do Governo prometeu "disciplina interna orçamental" e "máximo de [uso] das subvenções e mínimo [uso] dos empréstimos", a bem da dívida pública nacional.

O discurso teve pouco de político. Tirando a referência ao trabalho que está a fazer para recriar uma geringonça 2, António Costa só falou, logo a abrir o seu discurso, dos três atos eleitorais que se aproximam: eleições regionais nos Açores (25 de outubro), presidenciais (janeiro de 2021) e autárquicas (outubro de 2021).

"É à esquerda que queremos continuar a liderar a solução política de que Portugal precisa. Contamos, naturalmente, com o sentido de responsabilidade dos demais partidos que connosco fazem a maioria de esquerda."

Aqui, a mensagem que quis passar foi de uma desvalorização das presidenciais, definindo como "eleições da maior importância para o PS" as regionais açorianas e as eleições autárquicas, nas quais, segundo reafirmou, o PS tem o objetivo de se manter como o partido com mais presidências de câmara e mais presidências de juntas.

No início da conferência socialista, a política pura e dura ficou antes por conta da líder parlamentar do PS.

"É á esquerda que queremos continuar a liderar a solução política de que Portugal precisa. Para isso, contamos, naturalmente, com o sentido de responsabilidade dos demais partidos que connosco fazem a maioria de esquerda de que o parlamento hoje dispõe, respeitando sempre as diferenças de cada um, mas pondo sempre o interesse de Portugal acima de qualquer agenda ou taticismo partidário"", disse Ana Catarina Mendes, sublinhando que "o interesse nacional está acima de qualquer agenda ou taticismo" e que "o tempo não é de agendas irrealistas feitas de olhares sobre o umbigo".

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