Costa dramatiza: "Se não houver acordo há uma crise política"

Primeiro-ministro diz que, se não houver um entendimento de fundo à esquerda "não há Orçamento" para 2021 e o caminho inevitável será a marcação de eleições.

Numa altura em que o Governo retoma as negociações para o Orçamento do Estado 2021 António Costa vem pôr pressão sobre as negociações afirmando, em entrevista ao semanário Expresso, que haverá uma crise política no país se não houver um entendimento de longo prazo com os partidos da geringonça. "Se não houver acordo, é simples: não há Orçamento e há uma crise política", diz o primeiro-ministro, acrescentando que "aí estaremos a discutir qual é a data em que o Presidente terá de fazer o inevitável" - ou seja, convocar eleições legislativas.

O líder do Executivo fecha totalmente a porta à possibilidade de um acordo à esquerda ser substituído por um acordo com o PSD. "No dia em que a subsistência deste Governo depender de um acordo com o PSD, nesse dia este Governo acabou", diz António Costa - "Já disse muito claramente ao PCP e ao BE que não vale a pena ter esse sonho de construção de blocos centrais".

Costa diz que não se demite se for o PSD a viabilizar o Orçamento do Estado para 2021, mas recusa qualquer cenário de negociações com os sociais-democratas. "Não vou pedir ao PSD que vote contra nem que se abstenha. O que queria deixar muito claro, e já o deixei ao PCP e ao BE, é que se sonham que vão colocar o PS na condição de ir negociar com o PSD a continuação do Governo, podem tirar o cavalinho da chuva, pois não negociaremos à direita a subsistência deste Governo".

Deixando sem resposta a questão sobre se admite fazer um acordo apenas com o Bloco de Esquerda, sem o PCP (PS e BE fazem maioria no Parlamento) o primeiro-ministro sustenta que "seria uma perda que o formato e o âmbito" de um novo acordo "fossem distintos do que tivemos em 2015". António Costa quer reeditar a geringonça e diz que "desta vez precisamos até de o alargar ao PAN", diz o líder do Executivo.

Na entrevista Costa admite mexer nas leis laborais - uma reivindicação de sempre de bloquistas e comunistas -, mas centra atenções no combate à precariedade. Mas, questionado sobre se admite mexer no período experimental (um dos alvos do BE e PCP), o primeiro-ministro defende que "não faz sentido mexer em algo que entrou em vigor em outubro e que não foi verdadeiramente avaliado.

Crise política é "uma ficção", avisou Marcelo

A posição que António Costa assume nesta entrevista está em claro contraste com aquela que foi assumida pelo Presidente da República. "Todos são obrigados a pensar no interesse nacional. Não contem com o Presidente para crises políticas", disse Marcelo Rebelo de Sousa na quinta-feira, considerando que uma crise política seria "uma aventura".

"Em cima da crise da saúde e da crise económica, uma crise política era a aventura total. A alternativa seria uma crise a prazo, isto é, o Presidente empossado no dia 9 de março, seja ele quem for, estar a dissolver para eleições em junho. Isto não existe, isto é ficção. Portanto, uma crise política ou a ameaça de crise política é ficção", afirmou então o Presidente da República.

A 9 de setembro Marcelo Rebelo de Sousa entra nos últimos seis meses do seu mandato, pelo que fica impedido de dissolver a Assembleia da República. Um poder que só retoma no dia da posse, a 9 de março, caso seja reeleito.

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