Presidente do PSD Açores alvo de buscas pela PJ

O presidente da Câmara da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio foi esta terça-feira constituído arguido pela PJ dos Açores. O autarca é também o líder máximo do PSD naquela Região Autónoma.

O dirigente máximo do PSD Açores e presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, na ilha de S. Miguel, Alexandre Gaudêncio, é alvo de uma investigação da PJ e foi esta terça-feira constituído arguido.

Na denominada "Operação Nortada", a Judiciária realizou buscas no município, incluindo no gabinete e na residência de Gaudêncio, apurou o DN junto a fontes da autarquia.

Em causa estão suspeitas de crimes cometidos no exercício das funções de autarca, como peculato de uso, prevaricação, falsificação de documentos e abuso de poder - categorias criminais conexas à corrupção, de acordo com o Código Penal - em que foram intervenientes a Câmara Municipal e diversas entidades privadas.

Fonte autorizada do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada adiantou ao DN que o inquérito foi aberto em 2017, com base numa denúncia anónima.

Confirmou ainda que cerca de meia dúzia de pessoas foram também constituídas arguidas. Estão ligadas a empresas e entidades privadas que seriam favorecidas pela câmara, nas áreas do turismo, promoção de espetáculos e construção-

Nos dois anos de investigação, acrescenta o coordenador João Oliveira, foi possível reunir "um conjunto alargado de factos" com claros indícios dos crimes em causa. Entre os casos está a contratação de um cantos, por ajuste direto, à margem das regras de contratação pública - situação denunciada pelo PS local.

Em comunicado, a PJ sublinha que, além do autarca "foram constituídos vários arguidos", estando "sobretudo em causa suspeita de reiterada violação de regras de contratação pública, de urbanismo e ordenamento do território, com presumíveis favorecimentos de empresários e entidades de direito privado, com prejuízos para o erário público.

Assinala ainda a PJ que foram realizadas uma dezena de buscas a a instalações autárquicas, empresas, residências e viaturas, sendo uma das empresas localizada no continente.

Alexandre Gaudêncio é o segundo dirigente do PSD a ser constituído arguido, nas últimas semanas, em processos de corrupção, depois de Álvaro Amaro, na operação "Rota Final".

Gaudêncio, 36 anos, foi eleito presidente do PSD Açores em setembro do ano passado e está à frente do município da Ribeira Grande desde 2013 (cumpre atualmente o segundo mandato). É licenciado em Gestão/Informática pela Universidade dos Açores e é profissional de seguros desde 2004.

O seu perfil na página oficial do PSD/Açores indica que "desde muito jovem que integrou movimentos associativos" e foi escoteiro desde os oito anos no Grupo 111 da Associação de Escoteiros de Portugal.

É militante do PSD desde 2001, tendo fundado o núcleo da JSD na Ribeira Seca. Foi Presidente da JSD/Ribeira Grande, Presidente da JSD/São Miguel e Vice-Presidente da JSD/Açores.

Em 2007, integrou, pela primeira vez, a Comissão Política Regional do PSD/Açores. Em 2013 foi eleito Secretário-Geral e, mais tarde, passou a ocupar o cargo de Vice-Presidente do Partido na Região.

A 29 de setembro de 2018, Alexandre Gaudêncio foi eleito presidente do PSD/Açores, com 60,9% dos votos.

A nível autárquico, começou por ser eleito secretário da Assembleia de Freguesia da Ribeira Seca (2005 a 2009) e deputado municipal pelo PSD na Assembleia Municipal da Ribeira Grande (2009 e 2013).

Foi eleito Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande em 2013 e reeleito em 2017.

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