Comando que perdeu as pernas deixa hospital na próxima semana

Militar Alui Camará que perdeu as pernas durante a missão na República Centro-Africana foi um dos 24 operacionais condecorados pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Alui Camará, internado há meses no Hospital das Forças Armadas após o acidente em que perdeu as duas pernas na missão da ONU na República Centro-Africana (RCA), regressa na próxima semana a casa, soube o DN.

O soldado comando, de origem africana, foi um dos 24 militares da 5.ª Força Nacional Destacada na RCA condecorados esta quarta-feira pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro, numa cerimónia realizada no Ministério da Defesa e presidida pelo ministro João Gomes Cravinho.

O fim das obras de readaptação da casa do soldado Aliu Camará - que terça-feira recebeu nova visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no HFAR - por parte da Câmara Municipal da Amadora, iniciadas há vários dias, vão permitir a alta hospitalar daquele militar, precisaram fontes do Exército ao DN.

Esta foi a segunda vez que Aliu Camará saiu do HFAR, depois de em agosto ter sido autorizado a participar durante algumas horas numa festa em casa de um amigo de infância.

A lenta recuperação do militar vai continuar em regime de ambulatório e até ter condições para receber próteses, adiantaram as fontes.

O ministro da Defesa, na sua intervenção, voltou a destacar a importância da participação das Forças Armadas na missão da ONU na RCA e o "altíssimo nível" do desempenho dos soldados portugueses e, no caso deste contingente, do "extraordinário espírito de corpo" exibido após o acidente em que Aliu Camará ficou gravemente ferido naquele que "é um dos cenários operacionais de maior exigência que [...] enfrentam em democracia".

"A forte resiliência que todos souberam manter é prova da vossa prepasração superior, do vosso caráter e da coesão de grupo. E a resiliência que também o soldado Camará demonstrou, nestes meses de recuperação, confirma isso mesmo", realçou João Gomes Cravinho durante a cerimónia no salão nobre do Ministério da Defesa.

Divulgar missões no exterior

O governante, sublinhando que a presença de mulheres nas forças nacionais destacadas "é uma prioridade", declarou ainda que "dar a conhecer estas missões é uma forma de validação democrática e uma obrigaçãoque temos de criar consciência, junto dos portugueses, das exigências que a carreira militar impõem naqueles que servem" Portugal.

O CEMGFA, por sua vez, disse que as condecorações impostas - Medalhas de Serviços Distintos, Medalhas de Mérito Militar e Medalhas da Cruz de São Jorge - reconheceram "os que mais se distinguiram na RCA" entre os meses de março e setembro deste ano.

O almirante Silva Ribeiro exprimiu o "sentimento de grande orgulho" e o seu "profundo respeito" pela forma como o 5.º contingente destacado na RCA cumpriu o que é uma missão difícil, perigosa e muito exigente nos planos físico, psicológico e anímico.

Acresce o "elevado risco operacional" dessa missão, com uma "permanente ameaça" de grupos armados, sob condições climatéricas adversas e num terreno muito inóspito.

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