Com os olhos nas eleições, PCP pede mais votos para partido em 2019

"Resposta aos problemas do país não se faz com o governo do PS, nem com a sua atual política, amarrado a opções da política de direita", disse Jerónimo. Que pediu contagem completa de tempo para professores

À conjuntura da geringonça, o PCP responde que só uma "política alternativa, patriótica e de esquerda" abre caminho a alterações estruturais que rompam com a política de direita que ainda cola ao atual "governo minoritário" socialista. E para isso é preciso o reforço na votação dos comunistas, nas duas eleições previstas para 2019, as europeias e as legislativas.

Na abertura das Jornadas Parlamentares do partido, que esta segunda e terça-feira têm lugar em Santarém, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, foi claríssimo naquilo que o partido quer. "A resposta estrutural aos problemas do país não se faz com o governo do PS, nem com a sua atual política, amarrado a opções da política de direita", disse. Jerónimo tinha avisado imediatamente antes: "Para pôr o país a avançar a sério, para dar resposta ao que o país precisa para se desenvolver, para dar solução aos problemas acumulados, isso exige uma outra política".

Para os comunistas, há um "compromisso" assumido pelo partido "com os trabalhadores e o povo" que é o de "não desperdiçar nenhuma oportunidade para garantir e dar resposta imediata aos seus direitos, interesses e aspirações". É a justificação dada para apoiar o Governo de António Costa no Parlamento. E que, só por isso, o PCP continuará "com a mesma coerência" de que deram "provas" nos últimos "três anos da nova fase da vida política nacional".

Caderno de encargos para Orçamento

Numas jornadas que se alinham sob o tema "Afirmar a política alternativa para o desenvolvimento do país", o secretário-geral do PCP antecipou logo a abrir algumas das propostas que o partido tem insistido à mesa das negociações do Orçamento do Estado:
o aumento geral dos salários, Administração Pública incluída;
a fixação do salário mínimo nacional para 650 euros, já em 1 de janeiro;
reforço do financiamento dos serviços públicos e funções sociais do Estado;
aumento extraordinário das pensões e reformas, com um aumento mínimo de dez euros já em janeiro;
descongelamento da progressão das carreiras de funcionários públicos;
manuais escolares gratuitos para toda a escolaridade obrigatória;
alargamento do abono de família com o objetivo de o universalizar;
e redução de custos da eletricidade e gás.

Contagem de todo o tempo para professores

Ao mesmo tempo que a CGTP anunciava uma manifestação geral para dia 15 de novembro, Jerónimo de Sousa anunciou que o PCP acompanha outros combates, como o dos professores, "que há dias foram confrontados com a ilegítima e injusta decisão do Governo de terminar unilateralmente as negociações sobre o tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira".

Os comunistas insistem que os professores têm direito a ver "todo o tempo de serviço prestado" reconhecido pelo executivo socialista. A lei, avisou, já está aprovada: foi o Orçamento do Estado para 2018, o do ano passado, que estabeleceu esta contagem total. E para a aplicar, "tem de ser encontrada" uma solução "na negociação com as organizações representativas dos trabalhadores dos setores abrangidos".

Mais deputados do PCP na Europa

O "outro caminho" e a "outra política" que Jerónimo de Sousa defendeu passa por romper com a atual política europeia. "O governo minoritário do PS continua a insistir na ideia de que é possível dar solução aos problemas do país submetido às imposições da União Europeia e do Euro e amarrados a uma dívida insustentável."

Sem fazer uso de slogans que pedem a saída do euro ou o não pagamento da dívida, o eurodeputado do PCP João Ferreira, que também discursou na abertura destas jornadas, notou que o executivo socialista "se mantém voluntariamente amarrado" aos "condicionamentos e imposições" de Bruxelas, "não estando disponível para os enfrentar". E, por isso, avisou que só "o reforço da presença de deputados do PCP no Parlamento Europeu" ajudará ao "reforço da intervenção" do partido, "um objetivo útil, necessário e possível".

Numa passagem do discurso em que sintetizou o trabalho dos dois deputados no Parlamento Europeu, João Ferreira alterou a versão escrita do tempo verbal no passado para o presente, para pedir o tal reforço de votação. O PCP, resumiu, "tudo faz para minimizar, com iniciativas concretas, os condicionalismos e consequências" da "integração" na União Europeia e na moeda única.

"Este é um tempo de opções, entre manter o essencial da velha política de submissão ao capital e aos ditames da UE ou encetar um novo caminho verdadeiramente alternativo"

Jerónimo já tinha dito que "este é um tempo de opções", "entre manter o essencial da vela política de submissão ao capital monopolista e aos ditames da União Europeia e do seu diretório" ou, pede o PCP, "encetar um novo caminho verdadeiramente alternativo, que hoje continua adiado porque na governação do país e em domínios essenciais permanecem as principais orientações da política que nos conduziu ao declínio e à grave situação de dependência em que nos encontramos".

Jerónimo de Sousa, João Ferreira e João Oliveira pediram uma "política alternativa" e martelaram várias vezes a mesma expressão. A ver se nas eleições, a água dita sempre fura na pedra do eleitorado.

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