Chega. À terceira, foi de vez. Lista de André Ventura para a direção nacional foi aprovada

Lista proposta por Ventura para a direção nacional precisava de obter dois terços dos votos, o que só conseguiu à terceira tentativa. Líder do Chega promete lutar por Portugal "até à última gota de sangue"

O presidente do Chega, André Ventura, conseguiu este domingo, à terceira tentativa, a maioria de dois terços dos votos exigida para eleger a sua direção na II Convenção Nacional, em Évora.

Apenas às 20:02 foram proclamados os resultados de 247 votos favoráveis e 26 contra, num universo de 273 votantes, mais de cinco horas depois do horário previsto se tudo tivesse decorrido como previsto pela organização.

Ainda antes do almoço, votaram 378 delegados do total de 510 inscritos, com 183 a apoiarem o rol de nomes apresentado por Ventura, mas 193 rejeitaram a lista para a direção nacional, ou seja, não foram atingidos os dois terços dos votos exigidos pelos estatutos. Houve ainda um voto branco e um nulo.

À tarde, os mesmos nomes propostos para dirigentes pelo líder foram novamente chumbados, apesar dos 219 votos favoráveis e 121 contra.

Segundo o artigo 3.º do regulamento eleitoral nacional do partido nacional populista, se não for obtido o voto de dois terços dos delegados "deve o presidente eleito da direção nacional submeter nova lista, no prazo máximo de duas horas, aos delegados eleitos à Convenção Nacional, para votação no menor espaço de tempo possível".

"A Convenção Nacional não poderá ser dada por terminada sem que seja regularmente eleita a lista da direção nacional", estipula ainda o mesmo artigo.

Os nomes da lista

Na lista apresentada, e finalmente aprovada, Diogo Pacheco Amorim, Nuno Afonso e José Dias mantêm-se no organismo de cúpula do partido nacional populista, na companhia do diplomata Antonio Tanger Correia e do historiador Gabriel Mithá Ribeiro.

Como vogais transitam da direção cessante Ricardo Regala e Lucinda Ribeiro, aos quais se juntam Rita Matias, Pedro Frazão, Patrícia Sousa Uva, Tiago Sousa Dias, Fernando Gonçalves e Rui Paulo Sousa, indicado pelo Partido Pró-Vida/Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC), no âmbito da fusão dos dois partidos.

"Eu pedirei ao presidente da Mesa que suspenda novamente os trabalhos e apresentarei uma nova lista", anunciou, após o segundo chumbo, o deputado único e candidato presidencial, depois de muita insistência da plateia, que o interrompeu diversas vezes com gritos pelo seu nome e pedidos para que não abdicasse da liderança do partido.

"Ventura vai em frente, tens aqui a tua gente", ouviu-se na tenda que alberga o evento.

André Ventura, que foi reeleito em diretas há escassas duas semanas com 99% dos votos dos militantes, acabou por apresentar a mesma lista pela terceira vez e viu então aprovada a sua proposta."

Antes da aprovação final, o presidente da mesa da Convenção Nacional do Chega, Luís Graça, disse aos participantes na iniciativa que estava "preparado para estar vários dias" em Évora a aguardar a aprovação de lista do presidente do partido.

"Estou preparado para estar aqui vários dias até aprovarmos a lista do André", afirmou o mesmo responsável, em cima do palco, ao microfone, na II Convenção Nacional do Chega.

Luís Graça deixou este alerta perante os poucos delegados que ainda permaneceram na sala depois de a proposta de lista para a direção nacional do presidente do partido ter sido chumbada pela segunda vez.

Ventura promete "lutar por Portugal até à última gota de sangue"

No final, aprovada a lista, o presidente do Chega, André Ventura, prometeu aos delegados da II Convenção Nacional "lutar até à última gota de sangue por Portugal, no encerramento da atribulada reunião magna dos nacionais-populistas.

Na sua quarta intervenção do fim de semana, Ventura, o deputado único e pré-candidato presidencial, dirigiu-se a adversários como Rui Rio (PSD), António Costa (PS), Catarina Martins (BE) ou Jerónimo de Sousa (PCP), afirmando: "eu ainda aqui estou e vou continuar".

"Este homem que aqui está vai lutar por vocês até à última gota de sangue para que Portugal seja de novo um grande e enorme país", acentuou um inflamado Ventura na parte final do discurso, empolgando os fervorosos e ruidosos apoiantes.

O líder partidário garantiu que o Chega não é "um partido do sistema" e nunca será, justificando assim o facto de não ter tido o apoio esperado na votação para a sua lista da direção nacional, tendo mesmo sido obrigado a submetê-la a votos por três vezes até atingir os dois terços requeridos pelos estatutos.

"Aqueles que pensavam que seria um partido como os outros em que jogadas de bastidores decidiam o poder interno, desenganem-se. Este partido é dos militantes. Nunca cederei a jogos de bastidores", prometeu.

O segundo e último dia de trabalhos, em Évora, durou desde as 08:00 da manhã, com a primeira das três votações, até às 20:20, hora da intervenção de encerramento de Ventura.

"Posso enganar-me ou posso estar certo, mas amo este país mais do que qualquer político em Portugal", declarou.

O presidente do partido nacional populista referiu-se ainda a comentadores televisivos ou pessoas de outras forças políticas que, durante a tarde, "foram dizendo que podia ser o ultimo dia de Ventura à frente do Chega"

"Esqueceram-se de que não somos um partido que retira à confiança a quem trabalha por ele e todos os dias entrega a vida por ele", disse.

Ventura, na única vez em que se virou para fora, citou os nomes de Rio, Costa, Catarina Martins e Jerónimo, sublinhando: "eu ainda aqui estou e vou continuar".

* atualizado às 21.25

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