CGTP. "Ninguém atira a toalha ao chão." Nova liderança mas a mesma luta

Socialistas decidiram avançar com candidatura à liderança da CGTP alternativa à da candidata da continuidade, Isabel Camarinha

Tudo está preparado, esta noite, para a eleição de Isabel Camarinha como secretária-geral da CGTP-In, sucedendo a Arménio Carlos, que durante oito anos ocupou o cargo.

Reunida em congresso no Seixal, o 14º da sua história, a maior e mais antiga central sindical portuguesa prepara-se para escolher pela primeira vez uma mulher para a sua liderança.

Isabel Camarinha, 59 anos, militante do PCP, proveniente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, tem no entanto apenas previsto dirigir a organização apenas por um mandato (quatro anos).

Isto porque na CGTP há uma norma - tácita, não estatutária - que determina que os dirigentes têm de deixar os cargos quando atingem a idade da reforma. Foi por isso que Carvalho da Silva deixou a liderança da organização em 2011; e é por isso que Arménio Carlos, de 64 anos, a deixa agora.

O peso esmagador dos sindicalistas do PCP nas estruturas da central não deixava dúvidas quanto à eleição de Camarinha para secretária-geral.

Contudo, os socialistas da central, que têm uma tendência organizada, decidiram apresentar um candidato próprio: Fernando Gomes, 50 anos, natural de Marvão, membro da direção do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares do Sul, coordenador da Comissão de Trabalhadores do Grupo Pestana Pousadas, membro do Conselho Nacional da central desde 1999, da Comissão Executiva desde 2001 e do secretariado desde 2004.

Os socialistas sabem à partida que a eleição estava condenada ao fracasso. Mas avançaram à mesma porque a CGTP "deve alargar a sua base de implantação com mais sindicalização e reforço da organização". Ora "esta estratégia implica que a independência sindical da CGTP face aos partidos e as práticas de unidade e democracia sejam cada vez mais efectivadas e aprofundadas". E "sendo conhecida e assumida militância de Isabel Camarinha na corrente sindical do PCP", isso "levanta sérias preocupações de que, com a sua eleição, passe a existir ainda uma maior aproximação da CGTP ao PCP".

No Conselho Nacional da central, os socialistas contavam manter o mesmo peso: 20 em 147 elementos; e na Comissão Executiva também (cinco dos 29). A antiguidade provocaria, no entanto, alguma renovação: Carlos Trindade, o histórico líder dos socialistas na central, está de saída.

À entrada do congresso, Isabel Camarinha afirmou que pretende "dar continuidade àquilo que tem sido uma grande luta da CGTP" por um "efetivo" aumento dos salários, pela regulação dos horários de trabalho e pelo combate à precariedade.

Arménio Carlos, por sua, despediu-se a dizer que "aqui ninguém atira a toalha ao chão". A central vai manter, segundo prometeu, a mesma intensidade na luta sindical e não foi a solução política que vigorou entre 2015 e 2019, a "geringonça", que faz a central mudar de rumo.

Além do mais, o Governo, ao recusar "encontrar uma solução com os partidos à sua esquerda na Assembleia da República, optou por um acordo com as confederações patronais e a UGT para manter o país amarrado à política de baixos salários, com a caducidade das convenções coletivas e a negação do princípio do tratamento mais favorável a permanecerem",

Na despedida, esta tarde, o líder cessante salientou que nos últimos quatro anos a central registou 114,6 mil novas filiações (ultrapassando assim a meta definida em 2016, 110 mil novos filiados). Destes novos associados, 59% são mulheres e cerca de 14% de pessoas com menos de 30 anos. O objetivo até 2024 é o de mais 120 mil novos associados.

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