PS diz que entendeu "muito bem" o apelo do Presidente à estabilidade e ao diálogo

Em reação à mensagem do Presidente da República, CDS-PP garante que vai continuar a ser oposição "alternativa e eficaz". Bloco de Esquerda acompanha o Presidente na preocupação com as crises social e climática.

O Partido Socialista viu na mensagem de Ano Novo do Presidente da República uma "convergência muito importante" com as próprias ideias do partido. "Iniciamos o ano com a confirmação de que o relacionamento institucional entre o Presidente da República e os outros órgãos de soberania continuará a ser um dos fatores de estabilidade. É bom para o Governo e bom para o país", disse o presidente do PS, Carlos César, numa reação à mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente afirmou que, em Portugal, "esperança quer dizer Governo forte, concretizador e dialogante para corresponder à vontade popular que escolheu continuar o mesmo caminho, mas sem maioria absoluta", numa referência ao executivo minoritário do PS, chefiado por António Costa. A esperança também significa "oposição forte e alternativa ao Governo", acrescentou. Além disso, o Presidente chamou a atenção para os problemas da injustiça social, a pobreza e a exclusão, e sublinhou a necessidade de melhorar o acesso à saúde e à educação e os problemas com a justiça, entre outros - preocupações que o PS partilha.

"Entendemos muito bem o apelo do Presidente da República" "à estabilidade" e "aos valores do diálogo e da concertação", disso Carlos César: "Quando não há maioria absoluta, as medidas realizadoras e concretizadoras dependem sempre da concertação e do diálogo", disse. E é isso que tem acontecido, garante o dirigente socialista, dando como exemplo o processo de discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2020.

Bloco de Esquerda: ponderar "escolhas para o desenvolvimento económico e social"

Comentando a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, na sede do Bloco de Esquerda, em Lisboa, José Gusmão atirou que é preciso "decidir se estas escolhas para o desenvolvimento económico e social do país são mais importantes do que algumas décimas de superavit para mostrar em Bruxelas". "E estas escolhas têm tudo a ver com as opções e com os compromissos que serão feitos em sede de debate orçamental", considerou, vincando que "é, por isso, muito significativo que o Presidente da República, neste momento em que se debate o Orçamento do Estado para 2020, tenha recordado todos os atores envolvidos".

Na ótica do BE, é também significativo que Marcelo Rebelo de Sousa tenha assinalado na comunicação ao país "que foi escolha dos portugueses que o Partido Socialista tivesse maioria, como foi escolha dos portugueses que o Partido Socialista não tivesse maioria absoluta". Segundo o eurodeputado, o Presidente da República, ao "recordar esse facto neste momento de debate orçamental, convoca naturalmente o Governo e o Partido Socialista para procurar entendimentos e convergências que procurem prosseguir estas prioridades para as quais o Bloco de Esquerda tem alertado, e em torno das quais fará propostas no debate de especialidade".

O Presidente da República desejou hoje um 2020 "de esperança", com um "Governo forte, concretizador e dialogante", uma "oposição forte e alternativa" e pediu que se concentrem esforços "na saúde, na segurança, na coesão e inclusão". Aos jornalistas, José Gusmão afirmou que o partido acompanha "a escolha do Presidente da República, da crise social e da crise climática como aspetos centrais da sua mensagem ao país" e mostrou-se disponível "para contribuir para muitas das preocupações que foram levantadas" e que vão inclusivamente ao encontro de propostas que o partido vai "apresentar no debate orçamental durante as próximas semanas" ."A resposta a estas duas emergências, que o BE tem identificado, e em torno das quais tem feito muita da sua proposta política exige fazer uma escolha nos debates que neste momento o país acompanha, nomeadamente o debate sobre o Orçamento do Estado", vincou.

CDS-PP: o país vive um "caos na saúde"

Em Braga, a reagir pela voz do vice-presidente Nuno Melo, à mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, feita na Ilha do Corvo, nos Açores, o CDS- PP garantiu que tem sido uma oposição "alternativa, forte e eficaz" e que continuará a sê-lo quando "reencontrar a sua liderança", lembrando que o partido vai a votos para eleger o seu presidente em janeiro.

"O CDS foi sempre uma oposição alternativa, forte e eficaz e vive um momento muito particular na sua história, com um congresso que se realizará no mês de janeiro e para todos os que percebem que o CDS faz falta e que tem noção da importância do CDS, eu queria deixar uma palavra de esperança. Certo que estou, contados os votos, o CDS reencontrará a sua liderança, continuará esse caminho na oposição como, quando for caso disso, no exercício do poder", garantiu.

"O discurso do senhor Presidente da República foi generalista, que se compreende tendo em conta a quadra festiva, mas que ainda assim não consegue esconder uma realidade que penaliza as famílias", afirmou Nuno Melo. Segundo um dos número dois de Assunção Cristas, o país vive um "caos na saúde com atrasos nas consultas ou nas cirurgias, um aumento perfeitamente absurdo das dívidas na saúde que antes deste Governo e com outro Governo vinham sendo reduzidas ano após ano".

O dirigente do CDS-PP salientou ainda as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa dirigidas aos ex-combatentes. "Uma palavra de congratulação neste discurso em relação aos ex-combatentes, o CDS é o partido que esteve sempre ao lado do ex-combatentes e pediu sempre uma solução par aquilo que obviamente é uma falta de justiça de vida em relação aos que lutaram sem que lhes tenha sido pedido e que hoje, muitas vezes, sofrem muito", finalizou.

PCP: Marcelo contradiz "as opções que vêm sendo seguidas" pelo Governo

O PCP reagiu sem entusiasmo à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, por ser muito idêntica a outras no passado e revelar contradições com as opções seguidas pelo Governo do PS, que criticou. "Não se diferenciando de outras anteriores, suscita problemas que colocam em contradição o discurso e as opções que vêm sendo seguidas" pelo executivo, afirmou, na sede nacional do PCP, em Lisboa, Rui Fernandes, num comentário à mensagem presidencial.

O membro da comissão política dos comunistas deu os exemplos do combate à pobreza e à exclusão, na justiça ou na segurança dos portugueses, com os quais Rui Fernandes criticou, implicitamente, o Governo minoritário do PS, chefiado por António Costa. O combate à pobreza e à excussão, afirmou, "não se faz com medidas assistencialistas", mas sim "com o aumento geral dos salários, das pensões e das reformas e um decidido combate à precariedade".

E uma "justiça credível faz-se com investimento em meios humanos e materiais", assim como a "valorização da juventude e jovens famílias" se faz com "políticas reais de apoio", como a rede de creches. "Não vemos avanços nestas áreas, mas vemos os milhões que continuam a ser injetados na banca", ou a "valorização dos excedentes orçamentais para outros efeitos que não o investimento", acrescentou.

PAN: "Não podemos continuar a ser um Portugal a duas velocidades"

Já a líder parlamentar do PAN, Inês de Sousa Real, destacou a discussão e votação da proposta do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), prevista na generalidade para 9 e 10 de janeiro, como "um momento decisivo" que "vai ser a prova de força do que é a capacidade de diálogo do Governo e dos partidos da oposição".

Já quanto à preocupação do Presidente com áreas como a saúde, a segurança, a coesão e inclusão, o conhecimento, a justiça, a "preocupação climática", o PAN considera que "é fundamental" que o Governo PS, sem maioria absoluta, "tenha capacidade de aproximação" às "preocupações manifestadas pelas diferentes forças políticas" e possa "acolher algumas das medidas que são estratégicas".

"Não podemos continuar a ser um Portugal a duas velocidades em matéria de acesso à saúde", sustentou Inês de Sousa Real, enumerando como medidas propostas pelo PAN para 2020 o investimento de 10 milhões de euros na saúde mental e de 29 milhões de euros na agricultura biológica. O PAN, que escolhe as alterações climáticas como um dos desafios, enalteceu o facto de o Presidente da República se ter deslocado à ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago dos Açores, uma das regiões do país que "mais vão sentir os fenómenos meteorológicos extremos".

Iniciativa Liberal: discurso do PR não teve "qualquer foco"

"Esteve longe de ser um bom discurso. Na tentativa de ser quase ecuménico, fazendo um esforço para falar de tudo e de todos, deixou a sensação de não ter um verdadeiro foco. Um discurso sobre tudo, com efeito sobre nada", lamentou João Cotrim Figueiredo.

Na opinião do líder da Iniciativa Liberal, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou que, neste último ano do primeiro mandato, vai continuar a ser complacente com a falta de ambição do governo PS, quando, pelo contrário, muitos pensaram que o chefe de Estado iria lançar as bases para a sua reeleição, evidenciando maior exigência em relação ao Governo.

"Sem uma palavra para os muitos portugueses que sentem o país amorfo e sem dinamismo. Sem uma palavra de esperança para os emigrantes que queiram voltar, nem para os muitos que consideram sair, porque aqui não encontram oportunidades. Esperava mais deste discurso do Presidente da República", criticou.

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