Marcelo Rebelo de Sousa espera um "Governo forte, concretizador e dialogante" em 2020

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República pôs um foco especial na pobreza e na exclusão social e apelou a uma maior participação de todos: "Esperem e trabalhem", disse aos portugueses.

Foi da ilha do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, que o Presidente da República proferiu a sua tradicional mensagem de Ano Novo, na qual quis deixar uma palavra de esperança a todos os portugueses mas também apelando à sua participação: "Esperem e trabalhem", aconselhou o Presidente para 2020, sublinhando que não basta esperança, é preciso agir: é "nesse labor" e "olhando à escassez de recursos", deve-se dar uma especial atenção a setores como a saúde, a segurança, a coesão e a inclusão, o conhecimento e o investimento, "convertendo a esperança em realidade".

Na sua mensagem, Marcelo Rebelo de Sousa não se referiu a situações concretas, quer do país quer da política, mas desejou que para este ano tenhamos "um Governo forte, concretizador e dialogante", "para corresponder à vontade popular", que nas últimas eleições optou por seguir o mesmo caminho, dando a vitória ao Partido Socialista mas sem maioria absoluta. Também apelou a uma oposição igualmente forte e à "capacidade de entendimento entre os partidos".

Além da política, o Presidente fez questão de enumerar praticamente todas as áreas do serviço público, da justiça às forças armadas e forças de segurança, passando pela educação e a saúde, onde é necessário continuar a apostar. Deixou uma palavra para a comunicação social, que deve ser "resistente à crise financeira que a atravessa", outra para o poder local, que se espera que contribua para a coesão social. E apelou também a uma maior participação cívica.

O Presidente mostrou-se particularmente preocupado com as injustiças sociais, a pobreza e o risco de pobreza (que ainda afetam um em cada cinco portugueses, disse), aqueles que se sentem "longe" - seja porque estão efetivamente longe da sua pátria, como os emigrantes, seja porque se sentem excluídos (por serem mulheres, deficientes, vítimas de violência...). "Para todos, mesmo todos, vai o meu abraço caloroso", disse Marcelo Rebelo de Sousa. Um abraço "compungindo por aquilo em que falhámos", mas prometendo tudo fazer para que 2020 seja melhor.

"E isto dito daqui, do Corvo, tem uma força muito maior", garantiu Rebelo de Sousa, recordando que há 40 anos, neste mesmo dia, um "devastador sismo" assolou o arquipélago, especialmente a ilha da Terceira, fazendo dezenas de mortos. Se 2020 é o "começo de um novo ciclo, que tem de ser de esperança e não de desilusão", então o Presidente concluiu a sua mensagem com um apelo a todos: "Nós, portugueses, nunca desistimos de acreditar".

Como foram as mensagens anteriores de Marcelo?

O Presidente da República fez hoje, pela primeira vez, a sua mensagem de Ano Novo a 1 890 quilómetros de Lisboa, a partir do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, onde festejou a passagem de ano. Também é inédito o facto de a mensagem ser transmitida à hora do almoço, cerca das 12.00 no Corvo (13.00 em Lisboa), em vez das 21.00.

Eleito a 24 de janeiro de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse em 9 de março e fez a sua primeira mensagem aos portugueses, através da televisão, a 1 de janeiro de 2017. Nessa altura, com o Governo minoritário do PS, e o apoio da esquerda, há pouco mais de um ano em funções, Rebelo de Sousa descreveu 2016 como o ano da "gestão imediata", em que foram dados "pequenos passos" e desejou que o ano tivesse mais "crescimento económico".

Um ano depois, fez um "balanço positivo" de 2017, mas lamentou o crescimento económico "tardio e insuficiente", os cortes de financiamento em "domínios sociais", a dívida pública "muito elevada" e a justiça lenta. O ano de 2017 foi marcado pelos grandes incêndios florestais, em junho e outubro, que fizeram mais de 100 mortos, centenas de feridos e milhões de euros de prejuízos, no interior do país.

Foram acontecimentos que puseram o Presidente a visitar a zonas atingidas, pressionando a resolução dos problemas das famílias afetadas, o que o levou a dizer, no primeiro dia de 2018, que aquele tinha sido um ano "estranho e contraditório", "povoado de reconfortantes alegrias e de profundas tristezas". "O passado bem recente serve para apelar a que, no que falhou em 2017, se demonstre o mesmo empenho revelado no que nele conheceu êxito. Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro", afirmou.

Em 2019, ano de três eleições (regionais na Madeira, europeias e legislativas), o Presidente apelou ao exercício do voto e considerou fundamental bom senso nessas campanhas, advertindo que radicalismos, arrogâncias e promessas impossíveis destroem a democracia.

As mensagens de Ano Novo do atual chefe de Estado têm sido curtas, com uma duração média de cerca de oito minutos.

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