Passadeiras LGBTI. Cristas manda garantir que casos semelhantes não voltem a ocorrer

Ala mais conservadora dos centristas considera "gravíssimo" a proposta ter sido feita sem ouvir o partido e pede mesmo a "cabeça" de vereador

A liderança do CDS demarcou-se esta quinta-feira da ideia dos seus representantes na Junta de Freguesia de Arroios relativamente à proposta de pintar as passadeiras de peões em arco íris para homenagear a comunidade LGBTI. Passadeiras essas que, de qualquer forma, seriam ilegais.

Em carta aos militantes, a presidente do CDS, Assunção Cristas, afirma que "a defesa da não descriminação de qualquer pessoa, que como humanistas perfilhamos, tem formas mais adequadas de ação. O CDS não se revê neste tipo de iniciativas e a estrutura concelhia de Lisboa garantuirá que situações destas não tornem a ocorrer".

Na carta, assinada por Cristas e por Diogo Moreira, presidente do CDS/Lisboa, ainda se sublinha que a ideia era uma "recomendação" que não tinha caráter vinculativo.

Há quem queira que rolem cabeças

A posição da liderança centrista surge no mesmo dia em que se ficou a saber que a Tendência Esperança e Movimento (TEM), uma espécie de 'Tea Party' do CDS iria noite a demissão de um dos dois representantes do CDS da junta de freguesia de Arroios, Frederico Sapage, dos cargos que tem no partido.

"É gravíssimo" argumenta o porta-voz do TEM, Abel Matos Santos, que tenha avançado com a proposta de passadeiras coloridas para homenagear comunidade LGBT sem ouvir o partido.

A polémica interna gira em torno da proposta de dois representantes do partido na junta de freguesia de Arroios, Frederico Sapage e Vítor Teles, e para que no dia 17 de maio se assinalasse o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia com passadeiras pintadas com as cores do arco iris, que fazem parte da bandeira LGBTI, na Av. Almirante Reis. Abel Matos Santos exigirá que Federico Sapage, que é também é coordenador autárquico do CDS em Lisboa e assessor na junta de freguesia das Avenidas Novas seja demitido.

"Não tem a ver só com a proposta, mas por ter sido feita por dois eleitos do CDS à revelia do presidente da concelhia", afirma Abel Matos Santos. O porta-voz do TEM, a tendência mais conservadora do CDS, considera "gravíssimo" que Frederico Sapage, com os cargos que tem no partido, tenha agido sem ouvir ninguém. "Ou foi propositado para criar divisão e clivagem ou é um disparate porque até é prejudicial para os próprios homossexuais ", sustenta e exige consequências.

A polémica sobre este assunto já se tinha instalado nas redes sociais, com ataques a presidente do partido, o que obrigou até a um esclarecimento dos autores da proposta "não vinculativa" das passadeiras coloridas, e que foi aprovada por unanimidade na Assembleia de Freguesia (embora não possa ser posta em prática). Em comunicado, Frederico Sapage e Vítor Teles assumem a inteira responsabilidade pela iniciativa e garantem que a direção nacional "não teve conhecimento prévio".

"Entendemos que, após ponderação, a recomendação sobre as passadeiras, enquanto mero ato simbólico e de combate à discriminação, foi mal compreendida, já que foi alvo de uma colagem à ideologia de género, matéria e ideologia que, no nosso entendimento, já nada tem que ver, porque vai muito além, do respeito e da tolerância e da não discriminação; é uma ideologia que não partilhamos", afirmam. Lamentam ainda "o aproveitamento e desvirtuamento que foi feito desta nossa iniciativa", tal como "lamentamos profundamente que a mesma tenha servido para, de alguma forma, envolver as estruturas dirigentes do partido, para efeitos de qualquer polémica". Reiteram ainda que "o que é para nós essencial: somos a favor do princípio da não-discriminação, o que em nada se confunde com as políticas de ideologia de género que muita esquerda pretende impor, e a que claramente nos opomos".

Críticas nas redes sociais

A iniciativa foi divulgada na página do Facebook do CDS de Arroios e motivou críticas acesas na rede social. Um das vozes se que se levantou contra foi a de Pedro Pestana Bastos, ex-deputado, antigo membro da Comissão Política do CDS: "Bem sei que para alguns por vezes é cool aparecer com uma imagem moderninha mas isto é um completo disparate. O dinheiro dos contribuintes (mesmo se a despesa não for grande) não é para gastar em fantochadas e temos de dar o exemplo. Acresce que as passadeiras por razões de segurança nos termos do regulamento de sinalização são obrigatoriamente brancas. Não há passadeiras Arco Iris. Não brinquem com coisas sérias", diz o atual conselheiro nacional do CDS."

João Gonçalves Pereira, vereador na Câmara de Lisboa e presidente da Distrital do CDS, também escreveu na sua página de Facebook que não subscreve a proposta em causa. O mesmo acontece com o líder da Juventude Popular, formação jovem da qual Francisco Sapage faz parte. Francisco Rodrigues dos Santos frisa que a JP não foi consultada e que "essas propostas costumam ser acertadas com a direção do partido". Além disso, sublinha que a JP tem posições "muito claras" contra a ideologia de género, sem que isso signifique qualquer discriminação sexual.

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