Cavaco Silva: "Sou bastante educado ao contrário do que outros fizeram comigo"

Em entrevista esta manhã à TSF o ex-Presidente da República justifica as partes mais polémicas do livro que acaba de lançar e aconselha Passos Coelho a escrever as suas memórias

Cavaco Silva acha que Pedro Passos Coelho também deve contar a sua versão da história. "Só posso aplaudir", diz. Aliás, justifica: "É um imperativo que os políticos que ocupam altos cargos públicos prestem contas aos portugueses daquilo que fizeram."

Quando confrontado com uma certa vontade de "picardia", pelo jornalista da TSF Fernando Alves, Cavaco riposta: "Eu sou bastante educado, ao contrário daquilo que outros políticos nacionais fizeram em relação à minha própria pessoa. Faço avaliações de políticos, tendo presente o diálogo com eles mantido, procurando um rigor dos factos que seja difícil de desmentir."

Esse rigor tem sobretudo a ver com o facto de o ex-Presidente ter tomado notas rigorosas de todas as reuniões que teve: "Todas", diz. Aliás, garante, deixou de fora muita coisa, nomeadamente apreciações mais pessoais sobre pessoas com quem se cruzou: "Fiz algumas avaliações mas não conto tudo neste livro. Entendi deixar de fora as questões pessoais, e um Presidente da República, em tantas conversas, quase 200, com cada um dos líderes com quem trabalhei, vêm sempre ao de cima as questões pessoais."

Na entrevista à TSF que está a ir para o ar esta manhã , Cavaco explica porque criticou tanto o governo de Passos, sobretudo em matéria de economia, e na distribuição dos sacrifícios: "Se o governo tivesse seguido outro caminho, em minha opinião teria sofrido menor desgaste perante a opinião pública. Entendo - e repito -que os portugueses devem ser tributados de acordo com o seu rendimento global e tendo em atenção a sua situação pessoal: é casado, tem filhos, suporta despesas de saúde, de educação, tem profissão de desgaste rápido."

No entanto não deixa de elogiar o trabalho do ex-primeiro ministro, dizendo que mesmo discordando do governo "e eu discordei muitas vezes - mas tenho de reconhecer que nos momentos difíceis o Dr. Passos Coelho aguentou, o Dr. Paulo Portas reencontrou, quando houve dúvidas, o caminho e tivemos uma saída limpa."

Isto não impediu o ex-Presidente de ter ficado agastado com a tentativa de demissão de Paulo Portas. "O Dr. Paulo Portas sabe que, apesar de eu ter apreço pelo que ele fez pelas exportações portuguesas e na captação de investimento estrangeiro, não podia deixar de discordar fortemente da atitude naquele dia, que me levou depois a fazer uma tentativa de juntar o PSD, o PS e o CDS naquilo a que chamei um compromisso de salvação nacional."

Compromisso que só falhou porque o líder da oposição que era António José Seguro foi incapaz de estabelecer um acordo com as bases do Partido Socialista. Cavaco diz ter ficado "chocado" quando o viu na TV a desfazer a proposta de acordo que fizera com ele sem o avisar.

Para ouvir e ler a entrevista na íntegra, www.tsf.pt

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