Catarina Martins recusa "caminho da intriga" na campanha eleitoral

A coordenadora do BE recusa "o caminho da intriga" durante a campanha para as legislativas, assegurando que vai seguir "o caminho da proposta", sendo o trabalho e o investimento os grandes desafios que vão definir o próximo Governo.

Catarina Martins discursava no encerramento do Fórum Socialismo 2019, a 'rentrée' do BE, que este domingo termina no Porto, uma iniciativa que teve 750 participantes ao longo dos três dias, sendo, segundo a líder, "o maior Fórum Socialismo da história do Bloco de Esquerda".

"Recusamos o caminho da intriga, vamos ao caminho da proposta, este é o nosso programa, é isto que queremos fazer acontecer", afirmou a líder do BE, respondendo assim a quem tenta fazer que "esta campanha seja sobre tudo menos sobre o que conta".

O BE, prosseguiu Catarina Martins, apresenta-se às eleições legislativas "para apresentar proposta, para apresentar programa, para discutir o que é preciso fazer no país".

"Não nos dispersamos em jogos de provocações, nunca nos desviamos do que conta: responder por este país", assegurou, num discurso que demorou menos de 20 minutos.

Trabalho e investimento são as "duas áreas que vão ser os grandes desafios que definem um próximo Governo", aquele que vai sair das próximas eleições legislativas.

"No dia 06 de outubro, o voto no BE é o voto que faz acontecer", disse, usando assim o slogan que o partido assume para estas eleições.

A coordenadora do BE defendeu que responder à "grave crise de habitação" é "o investimento público mais seguro que se pode fazer" em Portugal porque quem vive do seu trabalho paga a renda. Catarina Martins afirmou que "não há quem não saiba em Portugal que tem faltado o investimento onde sobram os problemas", propondo o partido no seu programa eleitoral às legislativas "investimento com critério".

As crises de Portugal

"Querem falar de crises? Falemos de crises. Portugal tem uma grave crise de habitação e portanto se queremos responder ao país vamos responder pelo direito à habitação", atirou.

Referindo-se à proposta eleitoral de um "programa de reabilitação urbana capaz de travar a crise de habitação e colocar 100 mil casas com rendas entre os 150 e os 500 euros", a coordenadora bloquista lembrou que "em Portugal quando se fez, no passado, já há décadas, programas de investimento na habitação, todo ele teve retorno".

"Por esta razão tão simples que quem vive do seu trabalho paga a renda da sua casa, cumpre os seus compromissos. É sempre quem trabalha que cumpre e ao cumprirmos o direito à habitação seguramente estamos a fazer o investimento público mais seguro que se pode fazer neste país", defendeu.

Catarina Martins contrapõe com "o sistema financeiro, onde o Estado já colocou 17 mil milhões de euros que nunca ninguém pagou". "As pessoas em Portugal pagam a sua renda da sua casa, não fazem como Ricardo Salgado Berardo a dizer que não têm dívidas", apontou.

A líder do BE cita quem diz que "as questões do investimento são muito complicadas, ou que o país não pode mais". "Agora até Mário Centeno vem dizer que tem que aumentar o investimento. As coisas vão mudando", ironizou, fazendo-se ouvir algumas gargalhadas na plateia montada debaixo de uma tenda no campo de futebol da Escola Artística Soares dos Reis do Porto.

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