Catarina Martins promete campanha "sem provocações" e BE "fazedor de pontes"

A coordenadora bloquista prometeu este domingo uma campanha eleitoral de "respeito pelas pessoas", "sem palavras ocas e sem provocações". Apresentando o BE como um "fazedor de pontes" e sem arrependimentos do caminho feito.

No primeiro discurso do período oficial de campanha para as eleições legislativas, durante um almoço com apoiantes da Cultura, em Queluz, Lisboa, Catarina Martins começou por afirmar "o compromisso de fazer destes 13 dias de campanha eleitoral um exercício de respeito pelas pessoas".

"Até 6 de outubro [dia das eleições legislativas], eu, nós - seremos milhares a fazê-lo - estaremos empenhados em esclarecimento e em mobilização, sem energia perdida, sem palavras ocas, sem provocações. Respeito pelas pessoas", prometeu.

O BE apresenta-se a esta corrida eleitoral, garantiu ainda a sua líder, "como uma alternativa programática e como um fazedor de pontes, que sempre foi", sendo o objetivo do partido "continuar fazê-lo".

"Não estamos arrependidos do caminho que fizemos e continuamos, por isso, a fazer este caminho de alternativa e também os caminhos de convergência, mas com mais força, com uma bancada mais diversa, mais jovem, mais forte, o país sabe a diferença que o Bloco de Esquerda pode fazer", apelou.

Por isso, Catarina Martins insistiu que, nestes 13 dias, não vai desperdiçar o tempo de ninguém "com distrações".

"Portugal, a estabilidade da vida das pessoas, continuar o que se começou, com mais esquerda, mais coragem, mais justiça, é isso que queremos fazer e é a isso que vimos. E, por isso mesmo, decidimos começar por falar de cultura", justificou.

José Luís Peixoto, Tiago Rodrigues, Pilar del Río no almoço a apoiar o BE

A dirigente bloquista afirmou durante o almoço que os artistas, durante a crise, foram "cimento de empatia" e "grandes construtores" da atual solução política, pedindo um orçamento que permita ao Ministério da Cultura ser "digno desse nome".

Na assistência a apoiá-la estavam alguns nomes da cultura, como José Luís Peixoto, Pilar del Río, Fernando Tordo, Lúcia Moniz, Tiago Rodrigues, Nuno Carinhas ou Pedro Lamares

No discurso, Catarina Martins pediu para o setor "respeito por quem trabalha e orçamento para que o ministério seja digno desse nome".

A bloquista lembrou que nos anos de crise em Portugal, os anos de "todos os cortes" também na cultura, se soube da vida das pessoas "por estes artistas que ninguém conseguiu silenciar", com filmes, músicas, peças de teatro ou textos "sobre o desespero ue o país vivia", que humanizaram as pessoas que "estavam a ser perseguidas".

No entanto, lamentou, "desgraçadamente a mudança que ajudaram a criar, não chegou às políticas públicas para a cultura", onde se andou " muito pouco" na legislatura que agora termina com estas eleições.

A líder bloquista lembrou alguns "passos que foram dados", como a TDT com mais canais, a descida do IVA da cultura e a aprovação da lei, proposta pelo BE, "que reconhece que existe uma rede de teatros e cine teatros que precisam de meios".

"Não mudou o paradigma, Temos um ministério com nome de ministério mas sem orçamento de ministério", lamentou.

Outra prova de que não mudou o paradigma, segundo Catarina Martins, é o facto de não se olhar para "os serviços públicos de cultura como tal", mantendo-se as instituições "muitas vezes estranguladas", numa espécie de política "de mão estendida".

"Precisamos desse novo paradigma que sabe que é no avesso à cultura que ficamos fortes e que temos liberdade", pediu.

Olhar quem trabalha neste setor como um trabalhador é outra exigência que os bloquistas fazem porque elogios, prémios e palavras agradecidas "não pagam a conta de supermercado a ninguém".

A líder do BE não esqueceu o antigo coordenador do partido João Semedo - que morreu em 2018 - e citou a sua ideia de que o que salvou o Serviço Nacional de Saúde dos ataques da direita para o tentar destruir foram "os seus utentes" e "o facto de haver um país inteiro que sabe que precisa do Serviço Nacional de Saúde".

"Tem de ser assim com a cultura, com os equipamentos da cultura, tem de ser assim, tem de chegar a toda a gente", comparou.

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