Bloco junta-se à CGTP e PCP e já quer salário mínimo acima dos 600 euros

José Soeiro, deputado e dirigente bloquista falava aos jornalistas no decorrer de uma manifestação da CGTP em Lisboa.

"As condições permitem ir além do acordado" em 2015, disse, esta quinta-feira, a propósito do aumento do salário mínimo nacional, o deputado e dirigente bloquista José Soeiro.

"Estamos em condições de ter um salário mínimo nacional acima dos 600 euros", clarificou, dizendo também que a evolução que o BE acordou com o governo do PS apontava apenas para "patamares mínimos". De acordo com o mesmo dirigente bloquista, as condições económicas evoluíram de tal forma desde 2015 que isso permite que os valores definidos entre o governo e o BE sejam ultrapassadas.

A realidade mostrou que "o salário mínimo aumentou e o emprego cresceu". Ou seja, foram "desmentidos pela realidade" os argumentos segundo os quais o aumento do salário mínimo iria implicar aumento do desemprego, acrescentou ainda.

O Bloco aproxima-se assim das posições há muito defendidas pelo PCP e pela CGTP, organizações que querem um salário mínimo de 650 euros em 2019.

O aumento do salário mínimo é decretado pelo governo no início de cada ano, num despacho que não carece de aprovação parlamentar.

O acordo político assinado entre o PS e o BE previa que o salário mínimo registasse uma subida média anual de 5% até ao final da legislatura altura em que deveria atingir os 600 euros O objectivo era fazer com que o SMN recuperasse do longo período de congelamento observado entre 2011 e Outubro de 2014. Com bases nestas linhas, o programa do Governo sublinhava ser "urgente recuperar o tempo perdido" e comprometia-se a apresentar á Concertação Social uma trajetória de aumento para que o salário mínimo avançasse para os 530 euros em 2016; subindo para os 557 euros em 2017; para os 580 euros em 2018 e atingindo os 600 euros em 2019.

O governo iniciou esta semana a negociação do SMN para o próximo ano e colocou em cima da mesa o valor que consta da seu programa, mas sem afastar um cenário de uma atualização mais generosa caso os parceiros sociais (centrais sindicais e confederações patronais) consigam chegar a acordo para tal.

A UGT, que defende uma subida para os 615 euros, considera que as condições económicas que actualmente se verificam permitem acomodar um aumento mais elevado do que o que seria possível prever em 2015 quando o acordo e a trajetória foram definidas. Também o BE assume que com os dados que agora estão disponíveis é possível ir mais além e aproximar a subida do SMN do valor defendido pela CGTP e pelo PCP (650 euros).

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