BE vai insistir na despenalização da eutanásia. Onde o PCP "dececionou muita gente"

"Houve uma esquerda que se juntou, em nome dos direitos e da tolerância, mas também houve uma esquerda que faltou a essa batalha, que quis ficar do lado do conservadorismo", acusou José Manuel Pureza

O Bloco de Esquerda vai insistir com a despenalização da eutanásia, antecipou este sábado o deputado bloquista José Manuel Pureza, na sua intervenção na XI Convenção do partido, onde deixou uma forte crítica ao PCP, que dececionou "muita gente", ao votar ao lado da direita.

Recordando João Semedo, antigo deputado e dirigente do partido, que morreu este ano, José Manuel Pureza notou que "com o seu entusiasmo e a sua incrível capacidade de unir gente diversa" juntou-se um movimento social em defesa da eutanásia, que foi "forte, diverso, arrojado e competente".

Essa luta foi "de movimento antes de ser parlamentar" e "foi e voltará a ser" uma luta a ter lugar, avisou o também vice-presidente do Parlamento. "O compromisso do Bloco é voltar a estar nela por inteiro."

"O compromisso do Bloco é voltar a estar na luta pela eutanásia por inteiro"

Segundo Pureza, "na luta pela despenalização da morte assistida, houve uma esquerda que se juntou, em nome dos direitos e da tolerância", para logo deixar uma crítica com um alvo concreto: o PCP. "Mas também houve uma esquerda que faltou a essa batalha, que quis ficar do lado do conservadorismo e que usou aliás argumentos mais conservadores que os da direita encartada", acusou, referindo-se ao voto contra da bancada comunista. "E foi evidente a tremenda deceção que essa escolha tática causou a muita gente", completou.

O exemplo da "esquerda que se uniu para esta batalha" também ajudou José Manuel Pureza a criticar os socialistas. "Fosse a prática do PS em todas as lutas pelos direitos idêntica à que teve aí e e o caminho andado pelo país, em contraste com as políticas da troika e do seu governo, teria sido muito mais fecundo", sinalizou. Para logo completar: "Não é e nunca foi por falta de disponibilidade da esquerda que o PS se aliou à direita. Não é por inevitabilidade, é por escolha."