António Costa desdramatiza divergências com ministro das Finanças

Primeiro-ministro usa o twitter para assegurar que entre si e o ministro das Finanças "não há qualquer divergência". Mas com o presidente do Eurogrupo sim.

Em dois tweets seguidos publicados há minutos, o primeiro-ministro deixa claro que as suas divergências com Mário Centeno têm a ver com o orçamento da zona euro e não com questões de política interna.

No primeiro diz que "não há qualquer divergência entre mim e o MEF [Ministro de Estado e das Finanças] Mário Centeno. A criação de um orçamento da zona euro é essencial e tem mobilizado ativamente o governo."

No segundo, explica que esta sexta-feira (13 de dezembro), no Conselho Europeu, "Mário Centeno, como lhe compete, apresentou a proposta do Eurogrupo [para o orçamento da zona euro] e ele próprio expressou "a já conhecida posição nacional" [que é de rejeição frontal da proposta do Eurogrupo, conforme Costa deixou claro no debate que esta semana o levou ao Parlamento].

De acordo com o PM, a proposta do Eurogrupo para orçamento da zona euro "pode e deve ser agora melhorada no CE [Conselho Europeu]."

O chefe do Governo reagiu assim à manchete do Expresso: "Costa e Centeno discutiram em pleno Conselho Europeu". Segundo a notícia, na reunião de sexta-feira do Conselho Eurogrupo, Costa e Centeno trocaram argumentos diretamente um com o outro sobre o orçamento da zona euro.

O chefe do Governo terá conseguido que a discussão se mantenha em aberto, no contexto da negociação geral do orçamento comunitário para o período 2021-2027. O primeiro-ministro considera que a proposta do Eurogrupo favorece os países mais ricos - "um absurdo", no seu entender.

A proposta "tem de levar uma grande volta para poder ser útil", afirmou no debate quinzenal. Rematando: "Se não for [útil] mais vale não existir".

As divergências entre Centeno e Costa no Conselho Europeu foram relatadas num dos mais influentes sites de informação europeia, o Politico. O jornalista Bjarke Smith-Meyer relatou, citando duas fontes oficiais do Conselho Europeu, que "o primeiro-ministro português, António Costa, complicou as negociações sobre o orçamento da zona do euro, exigindo mais dinheiro para fundos de coesão".

Tratou-se, escreveu Smith-Meyer, de uma exigência "estranha" visto que assim Costa "prejudica o trabalho do seu próprio ministro das Finanças de Costa, Mário Centeno, que também é presidente do Eurogrupo".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG